Escritor fronteiriço assume cadeira na Academia de Letras de MS
“Nasci num país chamado fronteira, e de lá chego trazendo o sapicuá cheio do linguajar fronteiriço.” Com essa afirmação e com berrante, o escritor fronteiriço Brígido Ibanhes marcou seu ingresso na ASL (Academia Sul-Mato-Grossense de Letras).
Ele foi empossado como novo ocupante da Cadeira nº 13, que anteriormente pertenceu ao professor J.
Barbosa Rodrigues e a Antonio João Hugo Rodrigues.
A cerimônia reuniu acadêmicos, convidados e representantes da cultura sul-mato-grossense para oficializar sua entrada no quadro dos chamados “imortais”.
O rito oficial de posse foi conduzido pelo secretário-geral da Academia, escritor Rubenio Marcelo, que destacou a importância da chegada do novo integrante para a representação da literatura produzida na região de fronteira.
“A chegada do Brígido à ASL vem celebrar o efetivo compromisso que esta Casa estadual de Letras sempre teve e terá com a arte literária regional e especialmente a relevante literatura fronteiriça, pilar fecundo da história e da identidade cultural desta terra”.
Ao assumir oficialmente sua cadeira, Brígido Ibanhes levou para o centro da cerimônia um dos principais elementos de sua trajetória: a identidade fronteiriça, o berrante.
Natural de Bela Vista, município localizado na divisa entre Brasil e Paraguai e banhado pelo Rio Apa, o escritor dedicou parte de seu discurso às comunidades formadas nos dois lados da fronteira e aos valores que, segundo ele, caracterizam sua gente.
“A fronteira é um país que se estende pelo leito do Rio Apa e une duas comunidades irmãs no sangue originário”, afirmou.
Ele destacou ainda a humildade, a honestidade, a valentia, o trabalho e o sentido de honra presentes na formação cultural das populações fronteiriças.
Com a posse, Brígido passa oficialmente a integrar o quadro de 40 membros vitalícios da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, levando para a instituição uma produção profundamente vinculada à história, à oralidade e ao cotidiano da fronteira.
Autor de onze livros, Brígido Ibanhes construiu sua obra a partir da observação da vida fronteiriça, onde português, espanhol e guarani convivem e se misturam.
Sua produção reúne pesquisa histórica, memória, ficção e investigação sobre personagens e acontecimentos da região.
Entre suas obras de maior destaque estão Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros, Che Ru (Chiru): O Pequeno Brasiguaio – A Integração de um Povo e Che Retã.
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