A nova Torre de Babel: o escândalo do Banco Master e a incomunicabilidade do poder
Na vasta e árida planície de Senaar, os homens decidiram desafiar os limites da condição finita. Uniram-se sob a égide de um propósito megalomaníaco: erguer uma cidade fortificada e uma torre colossal cujo topo alcançasse os céus. O objetivo nunca foi a busca pelo bem comum, mas a consagração da própria glória, a busca por uma estabilidade inabalável e a autossuficiência que dispensasse qualquer alteridade ou freio moral.
A engrenagem daquela civilização primitiva operava sob o signo da uniformidade absoluta: uma única língua, uma única tecnologia, uma única direção que esmagava qualquer nuance de diversidade.
A tragédia bíblica de Babel não reside apenas na arquitetura frustrada, mas na revelação perene de que toda construção erguida sobre a soberba e a absolutização do poder humano carrega, em seu âmago, a semente da própria ruína.
Quando a elite se isola em sua torre de privilégios e perde o contato com a realidade da base, o idioma da justiça corrompe-se e a comunicação cede lugar à cacofonia. É exatamente essa alegoria ancestral que se reencarna, com contornos estarrecedores, no escândalo que recém veio à tona envolvendo o ecossistema do Banco Master e as entranhas do Supremo Tribunal Federal (STF).
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