Rancho raiz mantém tradição viva na Festa do Peão de Barretos
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Bastou a dupla sertaneja Lourenço & Lourival começar a cantar a música para o público cativo que estava no rancho entoar a canção. A cada verso de "Franguinho na Panela", os presentes ao rancho Ponto de Pouso, que fica numa área de mata ao lado do estádio de rodeios da Festa do Peão de Barretos , iam ao delírio.
O espaço no interior de São Paulo destoa do neosertanejo praticado no cenário nacional atual, mas não só por isso. Berrantes, música raiz, catira e até mesmo a gastronomia dos peões boiadeiros são mantidas no espaço de resistência, no primeiro ano de Barretos sem nenhum dos fundadores da Festa do Peão vivo.
São esperadas 990 mil visitas na festa até o dia 30, "infinitamente" superior às centenas, talvez um milhar, que frequentam o rancho raiz. Mas ele é considerado um lugar único em meio à modernidade do sertanejo , com batidas que muitas vezes aproximaram o estilo do pop.
"No recanto onde moro é uma linda passarela/O carijó canta cedo, bem pertinho da janela/Eu levanto quando bate o sininho da capela/E lá vou eu pro roçado, tenho Deus de sentinela/Tem dia que meu almoço é um pão com mortadela/Mas lá no meu ranchinho, a mulher e os filhinhos/Têm franguinho na panela", cantava a dupla a estrofe inicial da canção, enquanto um grupo preparava a Queima do Alho, comida típica dos peões.
Preparada com carne de sol, paçoca de carne seca, feijão gordo e arroz carreteiro, a comida era servida no passado pelos cozinheiros que faziam parte das comitivas que conduziam a boiada pelos estradões em viagens que duravam até quatro meses.
Elas eram formadas pelo comissário (dono da comitiva), ponteiro (que conhecia o trajeto e ditava o ritmo do gado para controlar o tempo), rebatedores (que cercavam o gado, para ele não se espalhar), culatras (que fechavam o comboio), culatras mancas (que seguiam bois mais lentos ou que se feriram no caminho) e cozinheiro.
Ele era responsável por "queimar o alho", daí o nome do prato, e muitas vezes viajava à frente do grupo para achar um lugar ideal para as refeições, de preferência perto de fontes de água, para conseguir lavar todos os utensílios após o uso.
Foi graças a essas comitivas que Barretos se transformou no ícone da cultura sertaneja no país. A cidade era passagem obrigatória das comitivas que levavam o gado entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, além de abrigar um frigorífico desde 1913, o Anglo.
Entre as brincadeiras dos peões nos horários de folga estava montar nos animais, o que culminou num rodeio em 1947, considerado o precursor da Festa do Peão, que estreou nove anos depois .
Coordenador do concurso da Queima do Alho, João Paulo Martins conta que o surgimento e proliferação dos caminhões fez com que o meio rodoviário fosse preferido para transportar o gado, que saía gordo da fazenda e assim chegava aos frigoríficos.
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