Cores não estão na luz, mas na interpretação que o cérebro faz
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Associamos o vermelho a sinais de perigo, e o verde nos transmite tranquilidade. Pensamos no azul para decorar um cômodo onde possamos relaxar e no amarelo quando queremos chamar a atenção.
Sabemos muito bem que as marcas escolhem cuidadosamente os tons de seus logotipos, e que há até cores às quais atribuímos a capacidade de melhorar nossa concentração. Sim, estamos cercados de ideias sobre como as cores afetam nosso cérebro.
Mas será que realmente existe uma neurociência da cor? A resposta curta é sim. E a longa, muito mais interessante.
Embora pareça estranho, as cores não existem na luz. A luz contém diferentes comprimentos de onda (o chamado espectro eletromagnético ) e é o nosso sistema nervoso que, na faixa do espectro visível e comparando os sinais que chegam à retina, constrói a experiência que chamamos de cor.
O cérebro não dispõe simplesmente de um detector para o vermelho, outro para o verde e outro para o azul. A retina humana contém cinco tipos de células sensíveis à luz: bastonetes; cones sensíveis a comprimentos de onda curtos (S), médios (M) e longos (L); e um tipo de células ganglionares que expressam o fotopigmento melanopsina.
De maneira geral, podemos resumir que a percepção cromática surge da comparação entre os sinais de diferentes tipos de cones. De certa forma, podemos dizer, portanto, que a cor é uma interpretação cerebral da luz.
Mas a história fica ainda mais interessante quando descobrimos que nossos olhos contêm células sensíveis à luz cuja função principal não é nos ajudar a formar imagens.
As células ganglionares da retina intrinsecamente fotossensíveis ( ipRGCs ) são neurônios que contêm melanopsina, um pigmento especialmente sensível a comprimentos de onda curtos. Com um pico de sensibilidade próximo a 480 nanômetros (nm, bilionésimos de metro), o fotopigmento capta a região do espectro associada ao azul-esverdeado.
As ipRGCs participam do que conhecemos como visão não visual. A expressão pode parecer contraditória, mas o que ela tenta descrever é que nossos olhos não apenas enviam ao cérebro informações para reconhecer rostos, ler estas palavras ou distinguir uma maçã vermelha de uma verde. Essas células também informam sobre a quantidade e as características da luz no ambiente, contribuindo assim para regular o sono, os ritmos circadianos, o estado de alerta e outros processos fisiológicos.
Além disso, as ipRGCs não atuam sozinhas. Elas recebem informações dos cones e dos bastonetes e participam de circuitos retinianos complexos, capazes de integrar os sinais relacionados à cor.
Em outras palavras, quando abrimos os olhos, a luz faz pelo menos duas coisas ao mesmo tempo: nos permite ver o mundo e, além disso, informa ao nosso organismo qual momento do dia parece ser. E digo isso porque poderia não ser assim, pois eles poderiam se confundir.
Pensemos em alguém que olha para o celular na cama à meia-noite. O relógio marca meia-noite, mas a retina está recebendo um sinal luminoso que está muito longe de ser associado à escuridão dessa hora.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.