Moraes critica “vaidades” na segurança e diz que crime organizado está mais integrado que o Estado
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou nesta segunda-feira (24) que o Brasil ainda carrega “traumas” históricos relacionados ao autoritarismo que dificultam avanços na política de segurança pública.
A declaração foi feita durante a abertura de uma audiência pública no STF para discutir a constitucionalidade da chamada Lei Antifacção (Lei 15.358/2026), que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado.
Relator das ações que questionam dispositivos da nova legislação, Moraes também criticou a falta de integração entre os órgãos responsáveis pelo combate à criminalidade e defendeu a superação de “vaidades” institucionais.
Moraes fala em “trauma” com autoritarismo Para Moraes, parte da resistência política à centralização e à coordenação de ações de segurança pública pela União está relacionada à experiência brasileira com regimes autoritários.
“O Brasil tem trauma, principalmente o Poder Executivo, o mundo político tem trauma, com a questão de segurança pública, porque confundiu por muitas décadas autoridade na segurança pública com autoritarismo”, afirmou.
Segundo o ministro, esse receio tem raízes em períodos como a ditadura militar e o Estado Novo, comandado por Getúlio Vargas entre 1937 e 1945.
Moraes defendeu que esse legado histórico seja enfrentado para permitir uma atuação mais coordenada do Estado no combate ao crime organizado.
Ministro critica falta de integração entre órgãos Além da questão histórica, Moraes apontou a dificuldade de compartilhamento de informações entre instituições como um dos principais obstáculos à segurança pública.
“Ninguém quer passar a informação para ninguém.
Cada órgão tem o seu banco de dados”, afirmou.
Na avaliação do ministro, prevalece entre diferentes instituições a lógica de que “informação é poder”, dificultando a construção de bancos de dados e estratégias integradas.
Moraes citou a Polícia Federal e o Ministério Público ao abordar o problema e afirmou que, em outros países, a cooperação entre os órgãos de segurança ocorre independentemente da orientação política dos governos.
O ministro também fez uma comparação com a atuação das organizações criminosas.
Segundo ele, as facções já desenvolveram mecanismos de cooperação mais eficientes do que aqueles utilizados pelos próprios órgãos públicos encarregados de combatê-las.
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