Entre máquinas e livros, trabalhadores constroem futuro em Inocência
"A oportunidade está aí.
Só não vai abraçar quem não quer." A frase do operador de máquinas Marcolino de Souza Santos resume o sentimento de muitos trabalhadores da indústria que decidiram voltar à sala de aula para concluir os ensinos fundamental e médio.
Um dos caminhos para aproveitar a nova chance é conseguir a certificação de competências de jovens e adultos.
Em Inocência, cidade que vem sendo transformada pela implantação de uma fábrica de celulose, trabalhadores participam de um curso preparatório gratuito oferecido pela Arauco, em parceria com a Prefeitura Municipal e apoio do Serviço Social da Indústria (Sesi).
O projeto oferece todo o suporte aos participantes, com escola e professores, material didático, alimentação e monitor infantil para pais e mães, facilitando a participação de quem precisa conciliar os estudos com a rotina familiar.
O índice de aprovação do projeto em Inocência é elevado: 63% dos participantes foram aprovados no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) no ano passado, enquanto a média de aprovação nacional é de 12,5%.
Neste ano, o exame será aplicado no dia 23 de agosto em todo o país.
Trabalhadores são movidos pelas oportunidades da indústria A chegada de novas fábricas e a expansão de cadeias produtivas, como a da celulose, elevou a demanda por profissionais qualificados.
Com salários acima da média do mercado, as vagas na indústria passaram a ser mais valorizadas pelos trabalhadores.
O carpinteiro Marcelo Augusto Brito veio do Maranhão para trabalhar na construção da fábrica em Inocência.
Assim como ele, muitos alunos acordam antes das 5 horas da manhã, trabalham o dia todo no canteiro de obras e, depois do expediente, seguem para a escola, onde passam mais três horas se preparando para conquistar o tão sonhado certificado.
" Depois de um dia inteiro de trabalho, a gente ainda vem para a aula.
Não sei de onde tiro tanta disposição, mas a vontade de crescer e buscar conhecimento é maior", reconheceu.
Marcolino encontrou no curso a chance de retomar um sonho antigo, interrompido por causa das dificuldades de acesso à escola na zona rural da Bahia, onde nasceu.
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