El Niño preocupa produtores, e projeção da safra de trigo fica 18,6% menor
O levantamento mensal de safra feito pelo pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou na pesquisa de julho uma queda para a produção nacional de trigo em 2026, em revisão provocada pelo receio dos produtores com o clima mais adverso com o El Niño.
A ameaça do El Niño intensificado desmotivou a expansão do cultivo. A previsão de um fenômeno climático mais forte no segundo semestre aumentou o receio entre os produtores no campo.
Os extremos climáticos afetam a qualidade do cereal. Consequentemente, aponta o IBGE, os preços também caem.
A safra nacional de trigo deve encolher 18,6% na comparação anual. O volume total projetado para 2026 ficou estimado em 6,4 milhões de toneladas. No levantamento anterior feito pelo IBGE, a produção de trigo em 2026 seria de 6,6 milhões de toneladas. Portanto, entre junho e julho, a estimativa para a safra caiu em 200 mil toneladas.
A previsão de um El Nino mais forte para o segundo semestre também fez aumentar o receio dos produtores. IBGE, no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola
Região Sul concentra 80,2% de toda a produção do país. Recentes perdas de produtividade na Região Sul desestimularam novos investimentos, segundo apontou o relatório do IBGE divulgado hoje.
Perdas no Sul lideram viés de queda com baixa anual de 28,3%. O principal estado produtor de trigo deve colher 2,5 milhões de toneladas do grão no ciclo atual.
Apesar de retração para produção de trigo, safra geral de grãos teve alta na estimativa de produção para 2026 em julho, superando o ano de 2025 em 2%. O IBGE projeta uma produção nacional de 353 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. Isso representa uma alta de 6,9 milhões de toneladas de grãos frente ao ano passado.
Expectativa aumentou 1,6% frente à previsão de junho de 2026. Houve acréscimo de 5,6 milhões de toneladas.
A área a ser colhida no país teve crescimento de 1,8% na comparação anual. O total alcançou 83,1 milhões de hectares, embora tenha recuado 0,1% frente a junho.
Soja, o milho e o arroz concentram 92,9% de todo o volume projetado. Respondem juntos por 87,4% de toda a área agrícola colhida.
A soja deve atingir um patamar histórico de 174,9 milhões de toneladas. O avanço anual de 5,3% é impulsionado pelo ganho de produtividade no Sul.
O milho deve ter produção recorde acumulada de 141,8 milhões de toneladas. As reavaliações positivas no Centro-Oeste compensaram o recuo anterior.
O sorgo teve expansão anual de 7,6% no volume. O bom desempenho no Piauí alavancou o resultado com mais de 118% de área de cultivo.
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