Casa própria começa pela calculadora: o que mudou na busca do brasileiro por imóvel
Antes de escolher o bairro, o tamanho da sala ou contar quantos quartos cabem no sonho da casa própria, o brasileiro está fazendo outra conta: quanto consegue financiar.
Em um cenário de juros ainda elevados, o crédito passou a aparecer cada vez mais cedo na decisão de compra de um imóvel — e a maior procura já vem acompanhada de crescimento nos financiamentos efetivamente contratados.
As vendas financiadas de imóveis residenciais somaram 507.299 unidades no primeiro semestre de 2026, entre casas e apartamentos, segundo levantamento da Trillia, área de dados e inteligência artificial da B3.
O número representa alta de 6,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 475.748 financiamentos.
Outro levantamento, este da empresa de tecnologia imobiliária Lastro, ajuda a mostrar como o crédito ganhou importância antes mesmo de o negócio ser fechado.
A empresa analisou 692 mil conversas realizadas entre janeiro de 2025 e março de 2026 por uma ferramenta de inteligência artificial usada no atendimento de imobiliárias e incorporadoras.
Entre as conversas relacionadas à compra de imóveis, as menções a financiamento passaram de 19% para 28% em um ano, um crescimento de quase 50%.
Segundo a empresa, muitos interessados passaram a procurar primeiro informações sobre a possibilidade e as condições de obter crédito para, só depois, avançar na escolha do imóvel.
“O que observamos nas conversas é que o momento financeiro passou a definir o início da jornada de compra.
Com juros mais altos e um crédito mais seletivo, o consumidor chega à imobiliária querendo entender primeiro se a compra será viável financeiramente”, afirma José Thomaz Pereira, cofundador da Lastro.
Entrada passa de 35% do valor do imóvel Os dados da Trillia mostram também que conseguir o financiamento não significa financiar a maior parte possível do imóvel.
Entre janeiro e junho, os brasileiros financiaram, em média, 64,8% do valor dos apartamentos e 62,8% do preço das casas.
Na prática, isso significa uma entrada média superior a 35%: cerca de 35,2% para apartamentos e 37,2% para casas.
O crescimento dos financiamentos foi puxado principalmente pelas casas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.