Estabilidade do Ibovespa depende do fiscal e do indicado para a Fazenda, diz estrategista-chefe da Monte Bravo
O pior momento do Ibovespa (IBOV) parece ter passado — pelo menos por enquanto. No entanto, o estrategista-chefe da Monte Bravo, Raí Chicoli , considera difícil falar em estabilidade de preços, visto que ainda há diversas questões relevantes a serem definidas nos próximos dias.
Na segunda-feira (26), a B3 precisou acionar o circuit breaker para conter uma queda de mais de 10% do principal índice da bolsa brasileira. O Ibovespa terminou o dia com um tombo de 13,88% , a maior queda desde março de 2020, na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Há muita incerteza sobre os próximos passos do governo. Enquanto questões sobre como será o ajuste fiscal e quem será o próximo ministro da Fazenda não forem sanadas, é difícil falar em alguma estabilidade de preços”, afirma Chicoli, reforçando que é preciso ter cautela com os nomes circulando na mídia para a pasta.
Entre as opções citadas pela imprensa estão o vice-presidente Geraldo Alckmin ; o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo ; o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles ; e a possível permanência de Dario Durigan .
De acordo com Chicoli, a expectativa é de que seja encaminhada alguma proposta de ajuste fiscal pelo governo. Contudo, ainda é difícil visualizar uma proposta robusta, algo que pode ou não ser fortalecido a depender do indicado para a Fazenda.
“Não há mais muito ajuste para ser feito do ponto de vista de arrecadação. Precisamos fazer um ajuste via despesas, e corte de gastos é algo politicamente difícil no Brasil — tanto pensando em governos de esquerda quanto de direita”, afirma o estrategista-chefe da Monte Bravo.
Para ele, a proposta deveria ter algo como um teto de gastos — que não é provável que seja implementado pelo PT —, com um limite para o crescimento real das despesas perto de 1%. Além disso, deveria incluir as despesas que ficam hoje de fora do arcabouço fiscal para ter um “superávit verdadeiro”e contribuir na execução de um ajuste fiscal significativo.
Pontos como o avanço dos gastos com Previdência, o crescimento da máquina pública e o reajuste de benefícios sociais devem seguir no radar dos investidores, segundo Chicoli.
“A dúvida é se o governo seguirá por um caminho de reajuste consistente ou não”, diz.
Na avaliação do estrategista, vale a apena acompanhar alguns papéis da Bolsa, entre eles os de bancos, que apresentam mais resiliência e resultados fortes de forma recorrente, apesar da sangria observada nas ações do setor na véspera.
Ativos ligados a commodities também tendem a ser uma boa opção, segundo Chicoli, considerando a recente depreciação cambial. De acordo com o estrategista, a corretora prefere olhar para as empresas exportadoras no geral do que para um único nome do setor. Ainda assim, entre os ativos recomendados aparecem a Suzano (SUZB3) e a Vale (VALE3) .
“A parte de câmbio apanhou menos, está apresentando certa recuperação hoje, na faixa dos R$ 5,35, não muito diferente do intervalo que estávamos no pré-eleição”, afirma Chicoli.
“O câmbio parece não estar ainda com uma precificação de cenário tão negativo, uma vez que depende de fatores externos.
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