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Política

Celso de Mello diz que candidato derrotado não decide quem venceu eleição

O Antagonista ·
Celso de Mello diz que candidato derrotado não decide quem venceu eleição

Ex-presidente do STF comenta carta em que Flávio se disse “presidente eleito”; para o magistrado, o mandato vem do voto, não de autoproclamação

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O ministro aposentado Celso de Mello , ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que quem perde uma eleição não tem poder para declarar a própria vitória. Em texto enviado à Folha , ele comentou a carta do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na disputa presidencial de domingo, 25, que se apresentou como “verdadeiro presidente eleito” .

O documento foi divulgado por aliados do senador na quarta-feira, 28. Depois da circulação, Flávio publicou outra versão, que retira a expressão “presidente eleito” e adota o termo “líder do Brasil” .

Para Celso de Mello, a primeira redação é uma “manifestação de extraordinária gravidade política” . Segundo ele, a legitimidade de um presidente “não nasce da convicção pessoal de um candidato vencido, da fidelidade de seus seguidores ou do apoio que eventualmente receba de governantes estrangeiros” .

O ex-ministro diz de onde ela vem: “Decorre da soberania popular, exercida segundo as regras constitucionais que organizam a disputa eleitoral e permitem reconhecer, com segurança jurídica, a vontade manifestada nas urnas” .

Celso de Mello reconhece que o regime democrático admite a contestação de resultados. O que não cabe, afirma, é converter uma “suspeita unilateral em fundamento suficiente para desautorizar a escolha coletiva” .

Ele também trata dos direitos de quem perde: “O candidato derrotado conserva seus direitos políticos, sua liberdade de expressão e sua capacidade de liderar a oposição; não conserva, porém, a prerrogativa de decidir sozinho quem venceu a eleição” .

Sobre a autoproclamação , o magistrado escreve: “Ninguém adquire um mandato presidencial por autoproclamação; ninguém pode converter a própria inconformidade com a derrota em título de investidura no poder” .

Na avaliação do ex-ministro, ao se declarar eleito, Flávio desrespeita o eleitorado : “O voto de quem escolheu outro candidato não vale menos, não possui dignidade inferior e não pode ser apagado pela recusa do vencido em reconhecer sua eficácia” , diz.

O texto de Celso de Mello também aborda o fato de a carta se dirigir à comunidade internacional. Para ele, o filho de Jair Bolsonaro procura obter fora do país uma “consagração política capaz de substituir a decisão eleitoral brasileira” .

O ex-presidente do STF rejeita essa possibilidade . Segundo ele, “nenhum apoio estrangeiro confere mandato presidencial, assim como nenhuma afinidade ideológica entre governantes autoriza a sobreposição de suas preferências à autodeterminação do povo brasileiro” .

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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