Dino autoriza PF a usar dados de operação contra filme de Bolsonaro
Investigadores apuram se emendas parlamentares foram usadas para financiar o filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente
O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino autorizou, nesta 2ª feira (24.ago.2026), o compartilhamento com a Polícia Federal dos dados coletados em operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora do filme “Dark Horse” , documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são da jornalista Bela Megale, do jornal O Globo .
A decisão atende a pedido da PF e permite que informações apreendidas nas sedes da produtora Go Up Entertainment e da ONG ICB (Instituto Conhecer Brasil), ligadas a Karina Ferreira, sejam usadas no inquérito federal. Segundo a reportagem do Globo , o foco da PF é apurar se recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas ao filme foram usados para financiar a produção do longa.
Karina é produtora do filme que retrata a campanha de Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018.
De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, o ICB usou recursos de uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão destinada pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) para contratar o advogado pessoal do congressista e comprar material didático que, segundo responsáveis locais, não foi entregue ao projeto Jovem Empreendedor em Pirassununga (SP).
A emenda foi indicada por Frias em 2024 para financiar o projeto, voltado ao letramento digital e ao empreendedorismo em escolas públicas. O convênio entre o instituto e o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) foi assinado em dezembro daquele ano e teve vigência até janeiro de 2026.
Frias nega o uso de emendas parlamentares para financiar o filme. Classifica as suspeitas de desvio de verbas públicas como “falsas” e “difamatórias”. Karina, por sua vez, diz que o filme não recebeu recursos de pessoas ou empresas brasileiras, públicas ou privadas.
Em junho, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou ação contra Karina. A investigação aponta suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos no contrato da ICB com a Prefeitura de São Paulo.
A Polícia Civil chegou a cumprir mandados de busca e apreensão relacionados a um contrato firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para a oferta de Wi-Fi gratuito em 5.000 pontos na cidade.
Segundo a Polícia Civil, há indícios de possível superfaturamento e de desvio de recursos públicos. De acordo com documento assinado pelo delegado responsável pelo caso, existe suspeita de confusão patrimonial entre o instituto e a produtora.
À época, a p refeitura disse em nota que não havia identificado “nenhuma irregularidade nos serviços prestados” pelo instituto.
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