Grupo do Habib’s acumula R$ 70 milhões em dívidas com fornecedores do agro
O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, acumula cerca de R$ 70 milhões em dívidas com empresas do agronegócio, principalmente frigoríficos, além de fornecedores de óleo de soja, verduras e legumes.
Entre os fornecedores estão empresas como Bunge Alimentos, De Marchi, JBS S.A. e a Seara Comércio de Alimentos Ltda., Agro Comercial Campo Vitória Ltda., Clean Field Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., Laticínios Porto Alegre Indústria e Comércio S.A. e Masterfoods Brasil Alimentos Ltda.
De acordo com a informação da advogada Camila Nicolau Juliano, especialista em Direito Empresarial e Contratual do escritório Tardioli Lima Advogados, a situação ganhou relevância após o grupo entrar em recuperação judicial no início desta semana no valor de R$ 265.207.959, 83.
Leia Mais O que está por trás do pedido de recuperação do Habib's? De padaria brasileira a império da esfiha: a história do Habib's após pedido de recuperação Habib's entra em recuperação judicial Segundo a especialista, a recuperação judicial não significa que os frigoríficos possam simplesmente interromper o fornecimento.
Pelo contrário, os credores do grupo devem continuar fornecendo as matérias-primas para a empresa por conta da recuperação judicial.
“A questão em si é mais preocupante, pois essas indústrias não podem deixar de fornecer os insumos por conta da recuperação judicial.” A especialista explica que, com o processo de recuperação judicial , as execuções contra a empresa ficam suspensas pelo período previsto na legislação, inicialmente por 180 dias.
Ao mesmo tempo, é necessário garantir a continuidade das atividades da companhia.
A especialista afirma que os fornecedores considerados essenciais deverão buscar uma renegociação com o grupo, de preferência com condições que ofereçam maior segurança para o recebimento dos valores.
“A lei protege esses credores.
Vai precisar ter uma renegociação, inclusive dos fornecedores essenciais, e de alguma forma com alguma garantia para continuar recebendo.” Apesar da recuperação judicial, a Juliano destaca que a situação pode gerar cautela em novos contratos e negociações.
“As indústrias podem ficar receosas, e isso pode acabar impedindo novas negociações, ainda que de uma forma indireta.” Para a advogada, o cenário é um sinal de alerta, mas não permite afirmar que outras empresas do setor necessariamente seguirão o mesmo caminho.
Entre os fatores que levou a empresa a pedir recuperação judicial estão os juros elevados, o alto endividamento e os custos das operações físicas.
A especialista destaca que empresas que dependiam fortemente de lojas físicas foram impactadas pelas mudanças no comportamento do consumidor e pelo avanço do delivery.
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