Para coordenador do CiberLab, IA não mudará base de uma investigação
Para Alessandro Barreto, coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas ( CiberLab ) e delegado da Polícia Civil do Piauí , o avanço da inteligência artificial não muda a base de um processo investigativo.
“A investigação não muda.
Daqui a 50 anos, responderemos às mesmas questões: quem? como? o quê? por qual motivo?”, disse durante evento da Elo sobre segurança, realizado nesta terça-feira, 20, em São Paulo.
Barreto avalia que a mudança ocorre na metodologia investigativa, que passa a se basear em evidências on-line, independentemente de o crime ter sido digital ou físico.
Recentemente, autoridades do Piauí localizaram um dos maiores foragidos do estado após a esposa comprar o mesmo aparelho duas vezes.
Em outro caso, a polícia piauiense ajudou a Polícia Civil do Rio de Janeiro a identificar o responsável pela morte de uma pessoa em situação de rua.
“Em apenas duas horas, tínhamos a identidade dessa pessoa, quem a apoiou a fazer isso e quem financiou.
Nossa maior dificuldade, no entanto, foi convencer a polícia local de que o crime tinha ocorrido, já que ainda não havia o registro da ocorrência”, disse.
Para o delegado, atualmente, um dos principais caminhos para identificar suspeitos é a análise de dados acessórios, como e-mail, número de conta bancária, endereços IP, telefones, chaves Pix, fotos, publicações, pagamentos de anúncios em plataformas digitais e até nomes de usuário repetidos (handles).
Segundo Barreto, as pessoas tendem a reutilizá-los, mesmo que inconscientemente.
“É a teoria do respiro da baleia.
Mesmo buscando anonimato, uma hora o criminoso falha e deixa um rastro na superfície”, observou.
O processo de coleta de evidências, no entanto, deve ser rápido.
“É como investigar na chuva e ver as provas irem água abaixo.
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