“Nunca se viu isso antes no Brasil”, diz advogado de vítimas da Voepass após decisão
O advogado Leonardo Amarante, representante das famílias de 37 vítimas da queda do avião da Voepass, comemorou a decisão da Justiça Federal de aceitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornar 12 integrantes da companhia réus pelo acidente aéreo ocorrido em agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo.
A tragédia deixou 62 mortos.“Como advogado das famílias de 37 vítimas desse acidente, todos nós ficamos muito satisfeitos com a decisão da Justiça, que finalmente deu o ponto de partida a essa ação penal, inédita em termos de responsabilização.
Nunca se viu isso antes no Brasil num acidente aéreo.
Por isso, aguardamos que o processo siga com a mesma efetividade e chegue à condenação dos responsáveis por esse trágico acidente.”A decisão abre caminho para a ação penal contra os denunciados, entre eles diretores e integrantes da alta administração da Voepass.
Eles vão responder pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo.Segundo o MPF, as condutas investigadas estão relacionadas não apenas às causas da queda, mas também à cultura organizacional da empresa, que priorizaria a economia de recursos e o lucro em detrimento da manutenção das aeronaves.Investigação apontou falhas na aeronaveEm agosto de 2026, a Polícia Federal concluiu o relatório sobre o acidente e indiciou 16 pessoas.
Quatro delas firmaram acordos de não persecução penal com o MPF e, por isso, não foram denunciadas.A investigação apontou que a aeronave não tinha condições técnicas de realizar o voo nas condições meteorológicas enfrentadas, com formação de gelo severo e precipitações.
Equipamentos considerados essenciais para essas circunstâncias, como o sistema de degelo e o limpador do para-brisa, estavam inoperantes.
Ainda assim, a empresa autorizou a decolagem.O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também concluiu suas investigações em julho de 2026.
O relatório apontou falhas no sistema, alertas ignorados, revisões mecânicas insuficientes e uma cultura organizacional de não reportar falhas em voos anteriores.Voepass se manifestaEm nota à Agência Brasil, a Voepass informou que seguirá colaborando com o Poder Judiciário e com as demais autoridades competentes, fornecendo os documentos e as informações solicitadas ao longo do processo.A defesa do presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, afirmou que tomou conhecimento do recebimento da denúncia pela Justiça Federal e que ele se manifestará nos autos.
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