A urbanização do Acre vista do espaço: cidades mais dispersas e concentradas na capital
Quando se fala em urbanização, normalmente pensamos na quantidade de pessoas que vivem nas cidades. Mas existe outra maneira de observar esse fenômeno: olhar para o espaço efetivamente ocupado, identificando onde as construções estão mais concentradas, onde a ocupação é mais espalhada e onde existem terrenos ou loteamentos ainda vazios.
É justamente essa a proposta do levantamento Áreas Urbanizadas do Brasil 2022, divulgado pelo IBGE. A pesquisa utiliza imagens de satélite e outras informações geoespaciais para identificar e classificar as manchas de ocupação urbana existentes no território brasileiro. Assim, além de saber quantas pessoas vivem nas cidades, é possível observar como elas ocupam fisicamente o território.
Para compreender os dados, alguns conceitos são importantes. As áreas urbanizadas são aquelas em que predominam construções, ruas e outras estruturas associadas à ocupação urbana. O levantamento também identifica áreas densas, onde as edificações aparecem mais próximas e concentradas, e áreas pouco densas, caracterizadas por construções mais espaçadas.
Há ainda os loteamentos vazios, áreas parceladas e preparadas para ocupação urbana, mas ainda pouco ou não ocupadas, e os vazios intraurbanos, espaços sem ocupação significativa inseridos no tecido urbano.
Essas diferenças têm implicações econômicas. Quanto mais espalhada é a ocupação, maior tende a ser a extensão da infraestrutura necessária para atender a população. Ruas, iluminação, saneamento, transporte, coleta de lixo e outros serviços precisam alcançar territórios maiores. É sob essa perspectiva que os números do Acre ganham relevância.
Em 2022, o IBGE identificou 230,80 km² de feições morfologicamente urbanas no Acre, dos quais 211,75 km² foram classificados como áreas urbanizadas. Em termos nacionais, é uma participação pequena: o Estado responde por aproximadamente 0,43% dos 48,8 mil km² de áreas urbanizadas identificadas no Brasil.
Mais importante que a dimensão absoluta, porém, é observar a distribuição entre áreas densas e pouco densas. Considerando essas duas categorias, o Acre apresenta menor participação relativa de áreas densas e, consequentemente, maior presença de áreas pouco densas que as médias regional e nacional.
A diferença é expressiva. No Acre, as áreas densas representam 59,1% da soma das áreas densas e pouco densas, abaixo dos 67,1% da Região Norte e dos 74,7% do Brasil. O movimento inverso aparece nas áreas pouco densas: 40,9% no Acre, 32,9% no Norte e 25,3% no país, conforme demonstrado no quadro 1.
Em termos simples, para cada 100 km² classificados nessas duas categorias no Acre, cerca de 59 km² são de áreas densas e 41 km² de áreas pouco densas. No Brasil, a relação é de aproximadamente 75 km² e 25 km², respectivamente.
Esse padrão importa para o planejamento. Ocupações menos densas podem ampliar as distâncias e aumentar a extensão das redes de infraestrutura e dos serviços necessários para atender a população.
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