Nova alfaiataria e Alexandre Nero: o desfile de Ricardo Almeida
Trinta anos de passarela são tempo suficiente para uma marca deixar de ser apenas uma etiqueta e passar a fazer parte da história de uma indústria.
No caso de Ricardo Almeida , um dos maiores nomes da moda masculina de luxo no país, já aconteceu e não é de hoje.
Mesmo assim, existem datas que devem ser celebradas, e foi exatamente o que ele fez: nesta terça-feira, 18, comemorou 43 anos de marca e 30 anos de passarela com um desfile em seu estúdio em São Paulo, em que revisitou sua trajetória desde a estreia no Morumbi Fashion, em 1996, até os dias atuais, entre seus cortes impecáveis de sempre e uma linguagem mais experimental da RA2.
O mérito do desfile esteve justamente em não transformar a efeméride em exercício de nostalgia.
As raízes aparecem, mas a coleção quer mesmo é mostrar o quanto a alfaiataria pode mudar sem perder sua essência.
A primeira parte do desfile é construída sobre essa ideia.
A alfaiataria clássica de Ricardo Almeida ganha proporções mais soltas, com jaquetões de um botão, paletós alongados e abotoamento mais baixo combinados a calças amplas de pregas.
Linho, seda e lã entram para tirar peso da construção tradicional.
O resultado é menos formal, mais fluido e bastante alinhado ao momento atual da moda masculina, em que conforto e precisão deixaram de ser conceitos opostos.
O verde foi a cor dominante, aparecendo em tons oliva, acinzentados e folha, ao lado de off-white, bege e caqui.
Pontos de amarelo, lilás, terrosos e laranja — este último incorporado à nova identidade da marca — quebraram a sobriedade esperada.
É na segunda parte, porém, que o desfile ganha outra personalidade.
A RA2 entra em cena com apenas 12 looks, mas muda completamente o registro.
O paletó box sem lapela, as calças samurai revisitadas em linho leve e as peças com costura reversa mostram a disposição de desmontar alguns dos códigos que o próprio Ricardo ajudou a estabelecer.
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