Conexão intestino-cérebro: como sono, emoções e rotina podem influenciar na inflamação intestinal, segundo estudo da USP
Controlar a inflamação intestinal nem sempre significa que a pessoa voltou a se sentir bem.
Mesmo quando exames indicam que a doença está resolvida, sintomas como fadiga, problemas de sono, ansiedade e limitações na rotina podem continuar afetando a qualidade de vida.
É a partir dessa constatação que pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um novo modelo para o tratamento de doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.
A proposta é ampliar a avaliação do paciente e considerar, além da atividade da doença, fatores como saúde mental, alimentação, atividade física, qualidade do sono e contexto familiar.
O trabalho foi publicado na revista científica eClinicalMedicine , do grupo The Lancet e está disponível online (em inglês) .
Eixo intestino-cérebro A ideia parte do conceito de “traços tratáveis”, que são características ou problemas que podem ser identificados, medidos e modificados durante o tratamento.
O acompanhamento não se limitaria a dor, diarreia ou sangramento, nem aos resultados de exames.
Fatores como tabagismo, fadiga, ansiedade, depressão, sedentarismo, dificuldades para seguir o tratamento e alterações nutricionais também poderiam entrar na avaliação.
“Na prática clínica, percebemos que muitos pacientes continuavam com limitações importantes.
Isso nos levou a buscar uma forma mais ampla de avaliar a doença”, afirma a médica doutoranda do programa de Gastroenterologia da FMUSP e primeira autora do artigo, Carolina Graciolli Facanali.
A proposta não substitui medicamentos ou outras estratégias para controlar a inflamação, mas busca complementar o tratamento com intervenções direcionadas às necessidades de cada paciente.
Um dos pontos centrais da abordagem é a relação entre o sistema digestivo e o sistema nervoso, conhecida como eixo intestino-cérebro .
Essa comunicação ocorre nos dois sentidos e envolve diferentes mecanismos que podem influenciar o funcionamento do organismo.
Pesquisas anteriores realizadas pela universidade observaram que pacientes com doença de Crohn e inflamação intestinal ativa apresentavam pior qualidade do sono, mais fadiga e maior frequência de sintomas de ansiedade e depressão .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.