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Tesouro Direto sai do ar com taxas em queda após maior alta da série histórica

Por Redação 5News · · com informações de InfoMoney
Tesouro Direto sai do ar com taxas em queda após maior alta da série histórica

Tesouro Direto se prepara para volatilidade em reação à reeleição de Lula

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno deste domingo, com uma margem de aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), deve provocar movimento significativo nas taxas do Tesouro Direto nesta semana. Gestores e economistas que acompanham o mercado de renda fixa preveem que os retornos oferecidos pelos títulos prefixados e indexados à inflação deverão subir expressivamente, revertendo os ganhos registrados nas últimas semanas quando havia maior expectativa em relação a um governo de outra orientação política.

A amplitude esperada da movimentação é considerada relevante pelos profissionais do mercado. Isso porque, durante as semanas que antecederam o segundo turno, os preços dos títulos já embutiam cenários de que uma vitória de Flávio Bolsonaro era provável. Com a confirmação de outro resultado, o mercado terá de repriceificar seus ativos, ajustando as expectativas sobre questões como gastos públicos, controle de inflação e política monetária.

A mudança de expectativas no mercado

Documentando a magnitude das oscilações recentes, o Tesouro Prefixado 2032 experimentou queda de 14,15% ao ano até o final do pregão de 2 de outubro, último dia de negociação antes do primeiro turno, para 12,89% ao final de sexta-feira (23). No mesmo intervalo, o Tesouro IPCA+ 2050 passou de IPCA + 7,06% para IPCA + 6,42%. Essas variações refletem a aposta do mercado em juros menores diante de expectativas sobre a continuidade ou não de certas políticas econômicas.

Luiz Cesario, economista-chefe da Asset1, alertava antes do resultado que a dinâmica de correção em caso de vitória de Lula tenderia a ser consideravelmente mais intensa que qualquer movimento positivo que teria ocorrido em cenário oposto. Em suas palavras, essa assimetria decorre do fato de que o mercado já havia descontado fortemente a possibilidade de um governo com política econômica diferente.

Profissionais que trabalham com gestão de ativos projetam aumentos substanciais nos retornos ofertados. Alfredo Menezes, que atua como executivo sênior da Armor Capital, indica que é razoável esperar elevação de pelo menos um ponto percentual nas taxas de prazos mais longos considerando o cenário que se desenha. Um sócio de uma grande gestora independente, que preferiu não se identificar publicamente, menciona que o retorno (juro real) dos títulos tende a voltar aos patamares anteriores ao primeiro turno ou alcançar níveis ainda superiores.

Bruno Corano, profissional ligado à Corano Capital, nota que como o mercado havia precificado de maneira considerável a vitória de Flávio Bolsonaro, a correção que acompanhará a reeleição de Lula tenderá a ser mais acentuada e mais acelerada. Na sua avaliação, existe espaço para os retornos futuros de longo prazo retornarem à faixa entre 14% e 15% anuais, alcançando ou ultrapassando o patamar verificado antes do primeiro turno, já que os investidores passarão a incorporar também o custo associado às medidas fiscais anunciadas durante o período eleitoral.

Impacto nos preços dos títulos já em posse

Para investidores que possuem títulos em suas carteiras, a questão que se coloca é qual será o impacto na marcação a mercado, ou seja, no valor de mercado desses ativos. Cálculos realizados com base nas taxas de fechamento de sexta-feira e nos prazos até o vencimento de cada papel indicam o seguinte cenário: uma elevação de um ponto percentual nas taxas reduziria o preço do Tesouro IPCA+ 2050 em aproximadamente vinte por cento, enquanto o Tesouro Prefixado 2032 perderia cerca de 4,4 por cento e o Prefixado 2029 experimentaria queda de dois por cento.

É relevante sublinhar que essa depreciação de preço representa perda apenas para quem decidir vender os títulos antes de seu vencimento. Os investidores que mantiverem os papéis até a data de vencimento receberão integralmente a rentabilidade que foi contratada no momento da compra, sem sofrer qualquer redução. Essa é uma característica fundamental da renda fixa: o risco de mercado existe enquanto o ativo não chega à sua data de resgate.

Contexto: Como o Tesouro Direto responde a decisões políticas

O Tesouro Direto é um programa de venda de títulos públicos federais diretamente para pessoas físicas, dispensando intermediários como bancos ou distribuidoras. Funciona como uma forma de o governo captar recursos no mercado para financiar suas atividades. Os investidores que compram esses títulos, em essência, fazem um empréstimo ao governo e recebem juros em troca.

Existem três tipos principais de títulos no Tesouro Direto. Os prefixados oferecem uma taxa de juros fixa já conhecida no momento da compra. Os títulos atrelados à inflação (IPCA+) oferecem um retorno correspondente à inflação acumulada, acrescido de um juro real adicional. Os títulos pós-fixados (Tesouro Selic) acompanham a taxa básica de juros da economia, a Selic.

As oscilações nas taxas que esses títulos oferecem refletem expectativas dos investidores sobre o futuro econômico. Quando há perspectiva de inflação mais alta, demandas por gastos públicos mais elevados, ou maior incerteza sobre política econômica, os investidores exigem retornos maiores para compensar o risco adicional. Resultado: as taxas dos títulos sobem. O inverso também é verdadeiro.

Mudanças de governo frequentemente desencadeiam reavaliações nas expectativas de mercado. Diferentes governantes podem ter preferências distintas sobre o tamanho do gasto público, a responsabilidade fiscal, a inflação considerada aceitável e outras variáveis macroeconômicas. É por isso que resultados eleitorais impactam significativamente os preços dos títulos de renda fixa.

Orientações para investidores em dois horizontes

Para quem busca proteção no curto prazo e teme que as oscilações de preço prejudiquem suas carteiras, existe uma opção: os títulos pós-fixados, categoria na qual se enquadra o Tesouro Selic. Esses papéis não sofrem perda de valor de marcado quando as taxas sobem, porque seu retorno acompanha a própria taxa de juros da economia. Por isso, profissionais descrevem a renda fixa pós-fixada como a grande vencedora em períodos de volatilidade no curto prazo.

Porém, a situação de taxas mais altas também apresenta oportunidades para investidores com horizonte de tempo mais extenso. Prefixados e títulos atrelados à inflação de longo prazo, embora sofram depreciação de preço no curto prazo, depois que o mercado repriceificar seus ativos começarão a oferecer rendimentos reais muito elevados. Para quem consegue manter um investimento por vários anos sem necessidade de resgatar o recurso antes do vencimento, esses níveis de retorno representam boas oportunidades de entrada.

A decisão entre qual tipo de título escolher depende, portanto, do horizonte temporal de cada investidor, sua tolerância ao risco de mercado e suas necessidades de liquidez.

O que acompanhar

Nos próximos dias, será importante monitorar como o mercado se comporta após a confirmação do resultado eleitoral. A movimentação das taxas nesta segunda-feira (26) e nos pregões seguintes indicará a magnitude real da reprecificação que os gestores e economistas estão prevendo. Também será relevante acompanhar comunicações do governo eleito sobre questões fiscais e políticas econômicas que possam dar sinais adicionais ao mercado.

Outro aspecto a observar é se haverá suspensões na venda de alguns títulos do Tesouro Direto, conforme sugerido no título desta matéria. Suspensões costumam ocorrer quando há volatilidade extrema ou quando o Tesouro Direto avalia que melhorar as condições oferecidas aos novos investidores é mais prudente diante das circunstâncias do mercado. Comunicados oficiais da Secretaria do Tesouro Nacional fornecerão informações sobre essas questões.

Principais pontos:

• A reeleição de Lula deve provocar elevação nas taxas do Tesouro Direto nesta semana, revertendo os ganhos das semanas anteriores quando havia expectativa de resultado diferente

• Uma alta de um ponto percentual nas taxas reduziria o preço do IPCA+ 2050 em cerca de 20%, enquanto o Prefixado 2032 perderia 4,4% e o Prefixado 2029 cairia 2%

• Investidores que mantiverem os títulos até o vencimento receberão a rentabilidade contratada sem perdas, independentemente das flutuações de preço

• Para proteção no curto prazo, títulos pós-fixados como Tesouro Selic são mais seguros, mas para quem tem horizonte longo, as taxas mais altas oferecem boas oportunidades de investimento

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de InfoMoney — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.

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