Maria Bethânia faz o 'L' de Lula em show descontraído no Coala Festival
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Em sua 12ª edição, o Coala Festival trouxe mais uma escalação eclética para os palcos montados no Memorial da América Latina no fim de semana. No sábado, o público paulistano respondeu bem, lotando o espaço, apesar da ameaça de chuva forte durante toda a tarde e da temperatura caindo.
O festival foi crescendo ano a ano, partindo de convidados mais alternativos e, aos poucos, encaixando medalhões da música brasileira em sua programação. E, nesta edição, o termo "medalhão" é inevitável: Maria Bethânia fechou no sábado a primeira noite do evento, fazendo o "L" com os dedos da mão e gritando "eu voto Lula presidente!".
Duas características são amplamente conhecidas por quem gosta de acompanhar shows da cantora. Uma é sua voz estrondosa, uma força da natureza, inabalável aos 80 anos. A outra é uma seriedade diante do compromisso de cantar, quase uma sisudez.
Bethânia gosta de shows muito ensaiados, reproduzidos sem imprevistos, e exige respeito total da plateia diante da proposta. Adora intercalar as músicas com poemas e textos declamados, e impõe o silêncio da plateia nessas intervenções.
Assim, ela nunca foi uma presença fácil em grandes festivais. E quem foi ao Coala no sábado se surpreendeu com a empolgação e a clara alegria de Bethânia. Essa descontração diante da plateia, ao que tudo indica, surgiu com força depois da recente temporada de shows em grandes estádios que fez com o irmão, Caetano Veloso .
Se é isso mesmo, trata-se de mais uma grande contribuição de Caetano à MPB . Com hits que o Brasil inteiro já cantou junto, é incrível ver uma Maria Bethânia de peito aberto a seu público, numa celebração que pode ser representada por escolhas como "Brincar de Viver", "Olhos nos Olhos", "Fé Cega, Faca Amolada", "Negue", "Olha" e "Explode Coração".
Antes de Bethânia, Emicida pisou no palco já com o público inteiro a seus pés. Foi um show consagrador de um artista que conversa há anos com a base de fãs na plateia. Ele percorreu canções de vários álbuns, notadamente "Emicida Racional Vol. 2", lançado no final do ano passado , com releitura da obra do Racionais MC’s. Impossível não agradar.
Foi um show impecável, com destaque para a percussão e os backing vocals femininos. Um hit como "A Chapa É Quente" soa revigorado, só lado de espertas apropriações de Sandra de Sá, Belchior e Marcos Valle.
De certo modo, Emicida conseguiu uma conexão até mais poderosa com o público do que Bethânia estabeleceu em seguida. A plateia do Coala é a moçada paulistana que passa o ano inteiro indo a shows pela cidade. É uma espécie de comunidade, a ponto de gerar cenas divertidas.
Com o festival sendo realizado este ano nos mesmos dias do segundo final de semana do Rock in Rio , a fidelidade do público provocou até alguns gritos de guerra entoados pela plateia. "Coala é delírio/ melhor que o Rock in Rio", bradavam os adeptos do evento ao receberem Emicida.
Num dia encerrado um show de Maria Bethânia, uma curiosidade: os shows foram abertos por seu sobrinho, Zeca Veloso. Escalado para cantar às 13h30, encarou uma plateia ainda esvaziada.
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