Preço do Petróleo sobe 6% a US$ 91, após novo ataque dos EUA contra Irã
O preço do petróleo abriu a semana em forte alta, influenciado pela escalada da tensão no Oriente Médio, após novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, o que amplia incertezas sobre a reabertura do Estreito de Hormuz. Mercado reage ainda ao acordo entre a Casa Branca e a Venezuela que amplia a participação americana na exploração das reservas venezuelanas.
Petróleo abre a semana em alta. O contrato futuro com vencimento em dezembro para o barril do tipo Brent, referência internacional da commodity mais negociada, subia 6% às 8h45 (horário de Brasília), a US$ 91,24.
Alta inverte tendência da semana passada. O contrato mais negociado acumulou perdas superiores a 4% na semana passada, com investidores menos pessimistas com a possibilidade de avanços diplomáticos entre EUA e Irã. O barril do tipo Brent para novembro encerrou a semana passada a US$ 88,10, com recuo de 6,6%.
EUA atacaram lançadores de foguetes iranianos no estreito de Hormuz. Forças americanas atacaram lançadores de foguetes iranianos no estreito de Hormuz, em meio a sinais de preparação para lançar projéteis e minas no local. A ação militar foi a primeira em um mês. Um funcionário dos EUA, que falou à agência Associated Press sob condição de anonimato por tratar de movimentações militares sensíveis, disse que os alvos eram dois lançadores de foguetes do Irã posicionados na região.
Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o ataque deixou mortos e feridos. "O martírio e o ferimento de vários de nossos combatentes e compatriotas", disse o grupo em comunicado transmitido pela emissora estatal iraniana. O grupo também prometeu retaliação, sem detalhar quando ou como.
Fluxo de navios em Hormuz segue irregular, apesar de sinais de adaptação do mercado. Dados de tráfego marítimo indicaram que apenas sete navios atravessaram na quinta-feira o estreito, rota na costa iraniana por onde passavam 20% do fornecimento diário mundial de petróleo antes da guerra. Isso é menos da metade da média de 15 embarcações dos dez dias anteriores. Antes da guerra, mais de 100 petroleiros faziam essa travessia.
Irã diz que mantém restrições e contesta afirmações de Washington sobre reabertura do estreito. A Marinha da Guarda Revolucionária afirmou ter "controle total" sobre o Estreito de Hormuz e disse que as restrições continuam até que as ações militares dos EUA cessem e compromissos sejam cumpridos.
Presidente do Irã reconheceu impacto das sanções e pediu que a população aceite as 'condições de guerra'. Masoud Pezeshkian disse à TV estatal que as medidas prejudicam a economia e afirmou que exportações e importações do país caíram entre 25% e 35% nos últimos meses.
Retomada de ataques dos EUA contra Irã ampliam incertezas sobre reabertura do Estreito de Hormuz, rota por onde escoavam 20% do fornecimento mundial da commodity antes da guerra, que já dura seis meses. Episódios podem travar negociações para definição de um corredor temporário e retirada de minas, mas Teerã condiciona reabertura ao fim da guerra.
Analistas avaliam que a expectativa de uma reabertura temporária aliviou parte da pressão, mas o risco de interrupções continua.
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