Candidatas mulheres são um terço do total há quatro eleições nacionais; veja perfil de 2026
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O percentual de candidaturas femininas é de 34,9% nas eleições de 2026, uma pequena variação positiva em relação ao pleito de 2022, quando representavam 33,8%. O dado evidencia uma estagnação de mulheres na disputa eleitoral: esta é a quarta eleição nacional em que a proporção é de uma a cada três candidatos no total.
Neste ano, haverá ao todo 20,5 mil candidaturas, cerca de 8.700 a menos do que em 2022, um recuo histórico de 30% . Destas, 13.374 informaram ser do sexo masculino e 7.156, do sexo feminino.
Os números são de pedidos de registro apresentados à Justiça Eleitoral —antes, portanto, do deferimento ou não das candidaturas.
O prazo final para a oficialização terminou no sábado (15), mas pequenas atualizações ainda podem ocorrer em razão de desistências, falecimentos, decisões judiciais e substituições de candidaturas. A análise da Folha considera dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atualizados até as 12h30 desta terça-feira (18).
As mulheres são maioria da população brasileira (51,5%), segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas ainda estão longe de alcançar a paridade no sistema eleitoral.
A participação feminina aumentou desde 2009, quando passou a valer a lei que determina a reserva de 30% de candidaturas, financiamento e propaganda para mulheres. Nas últimas três eleições nacionais, no entanto, os valores estão parados em um terço.
Além disso, as mulheres aparecem mais como candidatas a vice e suplente do que como cabeça de chapa nos cargos majoritários. Enquanto as candidaturas femininas são 42,6% para o cargo de vice-governador nestas eleições, a proporção é de apenas 16,8% para o cargo de governador.
Entre as 13 candidaturas registradas à Presidência da República, só duas são de mulheres –Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC). Segundo levantamento feito pela Folha , a eleição presidencial de 2026 será a primeira deste século a não ter mulheres nas chapas presidenciais competitivas .
Para Bianca Gonçalves de Silva, advogada eleitoralista, a estagnação deriva de uma série de fatores: falta de incentivo real, pois os partidos tratam o piso de 30% como um teto, violência política de gênero, que afasta mais as mulheres da disputa do que os homens, e dificuldade de fiscalizar a distribuição dos recursos do fundo partidário e do tempo de TV.
"No Brasil, a gente ainda discute uma reserva de candidaturas, enquanto em outros países, em especial na América Latina, discute-se a reserva de cadeiras", afirma. "Com as minirreformas, os 30% passaram a ser cumpridos , mas os partidos não se esforçam para mudar o perfil dos candidatos, de homem branco de meia-idade. Para uma mulher sentar na Câmara, um homem vai precisar levantar, e eles são maioria, não querem isso", diz.
"Os partidos falam muito que não acham mulheres para concorrer, mas o que vemos na prática é que elas são 52% da população e 47% das filiadas em partidos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.