Temos que ter cuidado com alíquota do IS, diz subprocurador da PGFN
A definição das alíquotas do Imposto Seletivo exigirá cuidado para evitar que a tributação elevada de produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente estimule o consumo de itens piratas, afirmou na última segunda-feira (14/9) o subprocurador-geral da Fazenda Nacional , Fabrício da Soller.
Segundo ele, governo e Congresso precisarão considerar a reação dos consumidores ao aumento dos preços provocado pelo novo tributo.
Uma alíquota excessiva poderia reduzir o consumo do produto legal, mas também deslocar parte da demanda para o mercado ilegal.
O resultado deste julgamento foi antecipado a assinantes JOTA PRO Tributos em 16/7.
Conheça a plataforma do JOTA de monitoramento tributário para empresas e escritórios, que traz decisões e movimentações do Carf, STJ e STF “Temos que ter muito cuidado […] para calibrarmos bem essas alíquotas para não cairmos na ilegalidade e no consumo de produtos piratas”, afirmou durante seminário sobre o Imposto Seletivo promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O Imposto Seletivo foi criado pela reforma tributária para incidir sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
A lista inclui veículos, embarcações, aeronaves, produtos fumígenos, bebidas alcoólicas e açucaradas e bens minerais, além de bets.
Soller afirmou que a reação à tributação dependerá da elasticidade da demanda de cada produto — ou seja, de quanto o consumo diminui diante de uma alta de preços.
“A elasticidade da demanda vai ser variável conforme o produto ou serviço”, disse.
Ele ainda disse que há muitos produtos alimentícios que fazem mal à saúde, mas não foram alvo do imposto pela complexidade e por potencialmente afetar os mais pobres.
“A ausência mais evidente talvez seja a da indústria alimentícia: há uma série de produtos que são prejudiciais à saúde, mas trazê-los para cá traria uma complexidade enorme da sua classificação, além de que são produtos consumidos majoritariamente pela população de menor renda, o que agravaria ainda mais a tributação dessas pessoas” afirmou.
O subprocurador disse que ninguém espera que o Imposto Seletivo leve ao fechamento de fábricas de automóveis, de bebidas ou de empresas de minério.
Em sua visão, esses produtos continuarão sendo consumidos, ainda que a tributação altere o comportamento dos consumidores.
A preocupação com o mercado ilegal ocorre em um contexto em que o Imposto Seletivo terá também uma função arrecadatória relevante.
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