Trump quer as terras raras do Brasil para fazer frente à China, avalia analista internacional
A interferência do governo Donald Trump nas questões internas do Brasil, incluindo o processo eleitoral, não começou agora, mas ainda na campanha do republicano, em 2024, quando o então senador trumpista Marco Rubio já sinalizava que o Brasil seria um perigo por integrar o Brics, bloco que, entre outras coisas, propõe a desdolarização e, portanto, ameaça a hegemonia estadunidense na América Latina.
A análise é do professor Ricardo Leães, pesquisador de Relações Internacionais, que, em entrevista ao Conexão BdF , da Rádio Brasil de Fato , avaliou que as investidas de Trump foram se tornando mais evidentes e públicas. Houve a aplicação de um tarifaço de 50% nos produtos brasileiros, no ano passado, com argumento de déficit da balança comercial, o que, reforça o analista, sempre foi mentira, já que a relação é superavitária em favor dos EUA. Esse primeiro tarifaço acabou barrado pela justiça estadunidense.
“Já naquele momento, ficava claro que a motivação era política, não financeira. Trump chegou até a falar do processo de Jair Bolsonaro [condenado pela trama golpista]. Depois aplicou a Lei Magnitsky contra algumas autoridades brasileiras, entre elas os ministros Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso”, lembra.
Em julho deste ano, Trump oficializou um novo tarifaço contra o Brasil, novamente com supostas justificativas econômicas.
Leães explica que o pano de fundo do interesse exacerbado de Trump no Brasil passa por uma disputa muito maior, que é contra a China. O plano consta na Estratégia Nacional de Segurança, em que ele delineia as prioridades da política externa de seu governo. “Há uma preocupação muito grande com a ascensão da China, que estaria muito baseada em uma cadeia de suprimentos baseada nas terras raras. Os EUA estão muito dependentes desses minerais críticos que são processados na China”, conta.
Para enfrentar esse cenário, Trump considera fundamental focar nos locais onde há disponibilidade de minerais críticos, que são: Brasil, Canadá e Groenlândia. “Por isso vimos ameaças a esses locais e também a outros países da América Latina. Na avaliação de Trump, os nossos recursos naturais devem servir para atender aos interesses políticos, militares e estratégicos dos EUA. E é claro que é mais fácil fazer isso se todos os governantes da região estiverem alinhados”, continua.
Por essa razão, o presidente estadunidense deseja tanto a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil e tem feito interferências para que isso aconteça. Ricardo Leães, no entanto, ressalta que não se trata “de dizer que pode haver interferência de resultados por meios fraudulentos”, até porque, reforça o analista, “as nossas urnas são seguras”.
De todo modo, “há interferência quando eles sinalizam: ‘Se o Lula ganhar, haverá mais pressão, mais sanções'”, afirma o professor. Leães destaca a injeção de US$ 1 milhão no Brasil para combater o lawfare, que estaria sendo cometido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a suspensão dos serviços consulares dois dias antes do primeiro turno como dois pontos de interferência.
“Na minha visão, isso tudo tem sido feito para criar um pânico moral.
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