Posição fiscal do país afeta os investidores, diz diretor da IFI
O relatório de acompanhamento da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado, divulgado nesta quinta-feira (17), aponta risco de descumprimento da meta fiscal em 2027 e diverge significativamente das projeções apresentadas pelo governo na proposta orçamentária.
Enquanto a equipe econômica estima fechar as contas no azul, a IFI projeta um déficit primário efetivo de aproximadamente R$ 86 bilhões, o equivalente a 0,6% do PIB.
Considerando as deduções legais de despesas na apuração da meta, a instituição prevê um superávit primário de apenas R$ 900 milhões para o próximo ano, valor insuficiente para atingir o limite inferior da meta estabelecida, que é de um superávit de 0,5% do PIB.
A proposta de orçamento enviada pelo governo ao Congresso, por sua vez, prevê um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões, representando uma diferença de mais de R$ 104 bilhões em relação à projeção da IFI.
Leia Mais IFI aponta cenário fiscal "desafiador" em próximo mandato presidencial IFI alerta para despesas crescendo acima das receitas e déficit estrutural Dívida vai subir para 115% do PIB em 2036, diz IFI Divergências nos parâmetros macroeconômicos Alexandre Andrade, diretor da IFI, explicou que a diferença entre as projeções não se trata de pessimismo, mas de distinções nas premissas adotadas.
“Não seria uma questão de pessimismo.
É uma questão de premissas consideradas na elaboração dos parâmetros, que por sua vez embasam as projeções de arrecadação e de despesas para o próximo ano”, afirmou.
Segundo ele, a IFI adota maior conservadorismo e está mais alinhada com as projeções do boletim Focus do que com as do governo.
Um dos pontos de divergência é a inflação: o governo estima 3,6% para 2027, enquanto a IFI projeta 4% e o boletim Focus, 4,3%.
O relatório também aponta diferenças nas estimativas de gastos previdenciários e em despesas como BPC, abono salarial, seguro-desemprego e sentenças judiciais.
Contingenciamento de R$ 35,7 bilhões seria necessário Para assegurar o cumprimento das regras fiscais em 2027, a IFI estima ser necessário um contingenciamento de despesas discricionárias da ordem de R$ 35,7 bilhões.
Alexandre Andrade alertou que esse montante recairia principalmente sobre os investimentos governamentais e que, dado o seu tamanho, não seria facilmente alcançável.
“O quadro fiscal está bastante apertado e o cumprimento da meta pode acontecer, mas em situações muito particulares e com uma margem de manobra bastante estreita”, destacou.
Meta cumprida formalmente não resolve trajetória da dívida O diretor da IFI ressaltou que o cumprimento formal da meta fiscal não implica necessariamente a resolução do problema estrutural das contas públicas.
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