Macron e príncipe saudita anunciam megaprojeto de ? 6 bilhões para criar parques temáticos em Paris
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, que dirige de fato o país, foi recebido na tarde de segunda-feira no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa. Vários acordos foram assinados, especialmente para reforçar a parceria em defesa, além de contratos envolvendo as empresas francesas CMA CGM e Alstom.
A vinda de Mohammed bin Salman a Paris permitiu a concretização de discussões entre os dois líderes, vazadas durante o verão. Um dos parques será dedicado ao universo da franquia japonesa Dragon Ball. Ele será construído no local do antigo parque Mirapolis, em Val-d'Oise, fechado há 35 anos e localizado a cerca de 30 quilômetros ao norte da capital.
A assessoria do presidente francês revelou que esse projeto "nasceu de uma conversa entre o presidente da República e o príncipe herdeiro em dezembro de 2024", em Riad. Na época, os dois líderes descobriram a "paixão em comum" pelos mangás, e "especialmente Dragon Ball Z".
Os temas dos outros dois parques não foram especificados. As obras deverão se estender por vários anos, sem calendário definido até o momento.
Questionada sobre a decisão de confiar a Riad a construção desses parques, apesar das críticas ao histórico saudita em matéria de direitos humanos, a Presidência francesa destacou que a França seria a "beneficiária" do projeto. "Em nenhum momento, quando atraímos um projeto, buscamos dar lições aos outros", respondeu o Eliseu.
Mohammed bin Salman teve, em poucos anos, uma trajetória espetacular. Ele foi apontado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos como responsável pelo assassinato, em 2018, do jornalista Jamal Khashoggi no consulado saudita em Istambul e ficou durante algum tempo isolado na cena internacional. Isso faz parte do passado. Hoje, o príncipe herdeiro é um parceiro estratégico cortejado pelas grandes potências. Conhecido como "MBS", ele sempre negou ter ordenado o assassinato de Khashoggi.
Essa não é a primeira vez que é recebido por Macron no Palácio do Eliseu . Sua visita, em julho de 2022, provocou a indignação de organizações de defesa dos direitos humanos. Desta vez, vários sindicatos de jornalistas franceses voltaram a denunciar a vinda de "MBS", que chamaram de uma "provocação".
A guerra desencadeada pela Rússia na Ucrânia em fevereiro de 2022 e as transformações no setor energético lembraram a importância de Riad, ator central do mercado petrolífero, enquanto o reino busca reforçar sua autonomia diplomática desenvolvendo suas relações com Washington, Pequim e Moscou.
Do Irã ao Líbano, passando pela energia e pela defesa, "MBS" é considerado um interlocutor indispensável no Oriente Médio.
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