Um verme com uma cabeça e corpo que se ramifica como árvore escondia dez espécies novas dentro de esponjas marinhas
DNA de exemplares históricos revelou uma diversidade inesperada de anelídeos que espalham corpos ramificados pelos canais de esponjas
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Um dos planos corporais mais estranhos entre os animais revelou ser muito mais diverso do que parecia. Vermes anelídeos que vivem permanentemente dentro de esponjas podem possuir uma única cabeça ligada a um corpo ramificado com dezenas ou centenas de extremidades posteriores . Uma revisão internacional publicada em 2026 combinou DNA, anatomia e exemplares históricos de museus e identificou dez espécies novas dentro desse grupo raro.
Esses animais pertencem à família Syllidae, mas fogem radicalmente do formato alongado típico dos anelídeos. A região anterior começa normalmente, com uma única cabeça e boca, enquanto o restante do corpo se bifurca repetidamente conforme cresce dentro do sistema de canais da esponja.
Até recentemente, apenas três espécies de vermes ramificados haviam sido formalmente reconhecidas. A nova pesquisa reexaminou exemplares recém-coletados e materiais históricos distribuídos em coleções, incluindo uma esponja recolhida em 1914 na baía de Sagami, no Japão.
O avanço veio da chamada museômica, que permite recuperar informação genética até de espécimes preservados há décadas. Combinando esses dados com anatomia e tomografia de raios X, os pesquisadores perceberam que animais classificados sob poucos nomes escondiam várias linhagens diferentes.
Este vídeo da Universidade de Göttingen mostra diretamente um verme ramificado vivendo no interior de uma esponja marinha.
A espécie originalmente chamada Syllis ramosa , descrita no século XIX, mostrou-se distante o suficiente das espécies de Ramisyllis para receber um novo gênero, Cladosyllis . A análise filogenômica revelou que os vermes ramificados formam um grupo evolutivo próprio, dividido nessas duas grandes linhagens.
Cladosyllis aparece associada principalmente a esponjas de vidro do gênero Crateromorpha em águas profundas. Já Ramisyllis vive em demoesponjas do gênero Petrosia , geralmente em ambientes rasos do Indo-Pacífico e do Mar Vermelho.
O primeiro verme desse tipo foi descrito em 1879, mas durante quase 150 anos permaneceu incerto se a forma ramificada havia surgido uma única vez ou repetidamente em diferentes linhagens. Os dados genéticos finalmente permitiram testar essa questão.
O estudo publicado no Zoological Journal of the Linnean Society indica que todos os vermes ramificados analisados formam um grupo monofilético. Isso favorece a interpretação de que esse plano corporal extraordinário surgiu uma vez em um ancestral comum e depois se diversificou.
Cada linhagem parece estar fortemente ligada a tipos específicos de esponja. Essa associação pode ter impulsionado a diversificação, porque populações adaptadas a hospedeiros diferentes acabam ficando ecologicamente separadas, mesmo quando vivem na mesma região oceânica.
Ainda não se sabe exatamente o que o verme oferece à esponja, nem como consegue alimentar um corpo tão extenso usando apenas uma boca pequena.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.