'Queremos descongelar a relação', diz deputado argentino que virá ao Brasil
Na próxima terça-feira, uma missão de mais dez congressistas argentinos, de centro, direita e esquerda, embarcará rumo a Brasília, onde terá reuniões no Congresso, Palácio do Planalto e Itamaraty.
A iniciativa partiu do deputado Nicolás Massot, membro da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento. Em entrevista ao UOL , o deputado, que é autor de um projeto que repudiou os ataques do presidente Javier Milei a Lula, afirmou que o objetivo da missão é "descongelar as relações".
Nos une o repúdio às barbaridades ditas por Milei e o consenso em torno de uma política de Estado que existe há 40 anos na Argentina: considerar o Brasil como nosso principal parceiro político e comercial. Nicolás Massot
Qual é a expectativa em relação ao que a missão parlamentar argentina vai fazer no Brasil e ao impacto que isso pode ter, num momento em que as relações bilaterais estão congeladas?
A ideia é abrir um canal alternativo de relevância política e institucional para que os vínculos bilaterais se mantenham à tona. Queremos contribuir justamente para descongelar as relações entre os dois países.
Há também um objetivo adjacente: fazer um gesto de reconhecimento ao povo brasileiro. Isso ficou claro quarta-feira passada, na sessão em que quase 60% da representação parlamentar argentina votou pelo repúdio às declarações do presidente Milei [contra Lula e o Brasil], pela reafirmação do caráter estratégico das relações bilaterais com o Brasil e pela convocação do chanceler [argentino] para prestar explicações no Congresso.
Nos parece importante fazê-lo pessoalmente, no Brasil. Queremos avançar com uma agenda parlamentar bilateral que possa contribuir para descongelar a relação enquanto durar essa situação inédita, em que o governo argentino parece se sentir confortável por ter degradado os vínculos com seu principal parceiro.
De todo modo, quando a situação se normalizar —e eventualmente ela vai se normalizar—, essa experiência também poderá servir para estreitar os laços parlamentares com o Brasil.
Além das reuniões no Itamaraty e no Congresso, é possível antecipar algo sobre um encontro de vocês no Palácio do Planalto?
Estamos terminando de definir com quem vamos nos reunir, mas a ideia é visitar o Congresso, o Itamaraty e o Palácio do Planalto.
Haverá contato com o presidente Lula ou com algum setor político da Presidência?
Não diretamente com o presidente. Imagino que o encontro possa ocorrer com algum ministério associado à importância das relações bilaterais.
A viagem não tem uma conotação partidária, tem uma conotação institucional.
Nos últimos dias, Milei não fez novos ataques a Lula. Mas um dos últimos foi bastante insólito: ele relacionou o presidente brasileiro a uma suposta operação para associá-lo a Fernando Cerimedo [estrategista digital atualmente preso na Bolívia, acusado de tentativa de assassinato e enriquecimento ilícito]. Como o senhor recebeu isso?
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