Comando escondido em laudo pericial para influenciar IA é descoberto em processo no TJRN
Sede do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi Um comando escondido em um laudo pericial chamou a atenção de um gabinete do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) durante um julgamento.
O texto, escrito em branco sobre um fundo também branco, não aparecia na leitura convencional do documento, mas podia ser identificado quando o arquivo era copiado para outro programa.
Segundo o relato feito durante o julgamento, o conteúdo trazia uma instrução direcionada a ferramentas de inteligência artificial para que elas concordassem com as conclusões apresentadas pelo perito.
O caso foi identificado pela 3ª Câmara Cível do TJRN e deverá ser apurado. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp A descoberta ocorreu depois que um advogado chamou a atenção do gabinete da juíza Érika Tinôco para a existência da instrução escondida no arquivo.
“Você olha o laudo, ele tá lá tudo bonitinho.
Se você copiar isso e jogar no Word que eu fiz, e todo o gabinete fez para confirmar, está lá um prompt indicando para a IA a ordem com as conclusões.
Nesse caso quando contém um comando para a IA concordar, isso desvirtua completamente o trabalho do julgador”, disse.
Comando escondido no documento O conteúdo identificado no laudo é um exemplo do que especialistas chamam de prompt injection, técnica que consiste na inserção de uma instrução em um conteúdo para tentar influenciar a resposta de um sistema de inteligência artificial.
Neste caso, o comando estava inserido no próprio documento do processo e utilizava uma formatação que dificultava identificação por uma pessoa que fizesse apenas a leitura visual do arquivo.
Segundo o especialista em inteligência artificial Victor Ferreira, enquanto o texto não era perceptível ao olho humano, a ferramenta de IA poderia interpretar o conteúdo e seguir a instrução.
“A fonte com letras brancas em um fundo branco onde o olho humano não consegue identificar que existe aquele comando ali que existe aquele prompt direcionando a inteligência artificial.
Mas a inteligência artificial ela consegue ler esse arquivo em texto e responde àquele comando”, explicou.
Agora no g1 Uso de inteligência artificial no Judiciário O episódio ocorre em um contexto de expansão do uso de ferramentas de inteligência artificial como apoio ao trabalho no Poder Judiciário.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já reconheceu o risco de comandos escondidos em documentos processuais e aprovou, em junho deste ano, orientações para reduzir a possibilidade de ataques do tipo prompt injection.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Rio Grande do Norte.