Amiga de Lulinha levou suspeito de operar propina para reunião no governo
A lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, levou um suspeito de operar propina para duas reuniões no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, de Wellington Dias.
Investigada no STF (Supremo Tribunal Federal) por indícios de atuar em conjunto com o filho do presidente para favorecer empresas em contratos com o governo, Luchsinger esteve pelo menos 16 vezes na pasta, segundo registros da portaria.
Na sua primeira visita, em 3 de janeiro de 2023, registros mostram que ela entrou acompanhada de Claudinei Quaresemin , sobrinho de Mauro Carlesse, ex-governador do Tocantins, investigado por suspeita de corrupção e desvio de dinheiro.
Quaresmin foi preso em 2024 na Operação Overclean , da Polícia Federal, que apura desvio de dinheiro em contratos públicos no Tocantins. Ele e outros suspeitos teriam recebido propina entre 2023 e 2024 por intermediar contratações.
Os dois entraram no prédio ao mesmo tempo, registrando que iriam falar com o ministro, Wellington Dias, e o secretário-executivo, número dois da pasta, Rannier Ciriaco.
Um mês depois, em 2 de fevereiro de 2023, Roberta e Quaresmin entram juntos na pasta novamente às 18h25, declarando que iriam se encontrar com Ranniêr Ciriaco.
Nessa ocasião, também estava Christopher Jorge Saraiva Amorim, ex-assessor de Ciro Nogueira (PP-PI) e dono da Positiva Assessoria , consultoria que promete destravar liberação de emendas.
As defesas de Luchsinger e de Quaresmin foram procuradas, mas não responderam ao UOL . O espaço segue aberto a eventuais manifestações.
Os encontros não foram publicizados na agenda das autoridades, contrariando a regra de transparência do Executivo. Procurado, o ministério disse que os encontros não foram agendados e, portanto, não constam do sistema do e-Agendas.
O esclarecimento do ministério, porém, contradiz o que diz um decreto de 2021, que obriga autoridades a registrarem na agenda, em até sete dias, eventuais encontros ocorridos sem agendamento prévio.
Antes da Operação Overclean, Quaresemin já era investigado por fraude em licitações, desvio de dinheiro e corrupção. Ele foi secretário de Parcerias e Investimentos no Tocantins até ser afastado, em 2021, mas depois teria seguido como operador de propina junto ao tio, segundo a PF.
Em 4 de janeiro, o ministro Wellington Dias recebeu uma visita de Luiz Cláudio França, advogado também investigado na Overclean, suspeito de integrar organização criminosa com Quaresmin e Carlesse.
Lobistas ligados a Lulinha frequentaram o gabinete do ministro Wellington Dias entre 2023 e 2024, algumas vezes acompanhados de empresários com interesse em contratos do governo.
O UOL encontrou registros de entrada de José Zunga Alves de Lima, amigo de Lula, ex-diretor da Oi e ex-assessor da Gamecorp, empresa de Lulinha, e de Roberta com Fernando Bittar, ex-sócio do filho do presidente.
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