Contrato digital: como identificar um documento legítimo e evitar golpes
Datas importantes do varejo, como o Dia dos Pais e o Dia das Mães, são períodos em que os consumidores recebem muitas ofertas, fecham compras e resolvem pendências pela internet. Esse aumento na movimentação também chama a atenção dos criminosos, que aproveitam o período para intensificar golpes envolvendo documentos, contratos e cobranças falsas . Em meio à pressa para concluir negociações ou aproveitar promoções, torna-se mais fácil cair em abordagens que parecem legítimas, mas que escondem fraudes cuidadosamente planejadas.
Essa atenção nunca foi tão necessária. Segundo a Serasa Experian, o Brasil registrou mais de 3,4 milhões de tentativas de fraude apenas no primeiro trimestre de 2025 , o equivalente a uma ocorrência a cada 2,2 segundos. Entre os golpes, cresce o uso de documentos falsificados, identidades fraudulentas e técnicas de engenharia social para convencer vítimas a assinar contratos ou realizar pagamentos indevidos .
Os criminosos acompanham a evolução das tecnologias. Se antes um documento mal elaborado despertava desconfiança, hoje muitos golpes utilizam logotipos oficiais, identidade visual semelhante à de empresas conhecidas e arquivos visualmente impecáveis. À primeira vista, tudo parece correto. Mas um PDF bem produzido não é, por si só, uma prova de autenticidade.
Na prática, o golpe costuma começar com uma abordagem aparentemente legítima . A vítima recebe um e-mail, uma mensagem por aplicativo ou um contato telefônico informando que um contrato precisa ser assinado com urgência. Em muitos casos, os criminosos se passam por bancos, imobiliárias, fornecedores, empresas de tecnologia ou até parceiros comerciais conhecidos.
Para aumentar a credibilidade, os golpistas reproduzem logotipos, assinaturas visuais e layouts muito semelhantes aos originais. Em alguns casos, alteram discretamente dados bancários, modificam cláusulas importantes ou direcionam a vítima para páginas falsas de assinatura.
Criar a sensação de urgência continua sendo uma das estratégias mais utilizadas. Frases como "é preciso ainda assinar hoje", "o prazo está acabando" ou "o pagamento precisa ser realizado imediatamente" reduzem o tempo disponível para conferência e aumentam as chances de erro.
Por isso, a melhor proteção continua sendo desenvolver o hábito de verificar antes de confiar. Existem alguns cuidados simples que qualquer pessoa pode adotar antes de assinar um documento eletrônico.
O primeiro deles é validar a assinatura eletrônica . Normalmente, as plataformas disponibilizam um relatório ou manifesto de assinaturas contendo informações técnicas sobre o documento. Esse registro apresenta dados como os signatários, horários das assinaturas, identificadores únicos e mecanismos criptográficos que garantem a integridade do arquivo.
Quando a assinatura utiliza certificados da ICP-Brasil, por exemplo, ela pode ser conferida por meio do Verificador de Conformidade do ITI. Essa validação permite confirmar se o certificado é válido e se o documento permaneceu íntegro desde sua assinatura.
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