Sarro pode se tornar patrimônio cultural do Paraná; conheça o movimento
Um projeto de lei em discussão na Assembleia Legislativa do Paraná propõe reconhecer o Sarro, movimento cultural ligado à juventude paranaense, como Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná .
O reconhecimento proposto pela iniciativa busca garantir a valorização da cultura periférica no Paraná . Além da dança, o movimento envolve a presença de jovens nas ruas, praças e outros espaços públicos, onde criam encontros e formas próprias de expressão.
Autor do projeto, o deputado estadual Goura (PDT) protocolou a proposta de reconhecer o Sarro como patrimônio cultural e divulgou um vídeo sobre o movimento. Nele, Bebel, que pratica a dança, defendeu que o poder público precisa ter participação ativa no reconhecimento da cultura das periferias.
“Tem um grande problema de falta de conhecimento cultural periférico no Brasil, mas principalmente aqui no Sul. A periferia do Sul existe, ela produz cultura e produz cultura muito boa de muita qualidade, e não é reconhecida. O Estado tem o extremo papel de fazer isso. Se não for o Estado a reconhecer, quem vai reconhecer?”
Também chamado de sarrinho ou passinho de rave , o Sarro é um estilo de dança associado à música eletrônica . Nele, o destaque são os movimentos rápidos dos pés, das mãos e de todo o corpo.
A dança ganhou espaço em festas, raves, ruas, praças e redes sociais. Os praticantes do Sarro, que defendem que o movimento se torne Patrimônio Cultural, também compartilham vídeos e ensinam passos pela internet. Em Curitiba, entusiastas se reúnem em locais públicos, como o Largo da Ordem , para dançar e fortalecer a cultura do movimento.
O Sarro também se tornou parte de uma subcultura ligada à juventude curitibana e tem similaridades com a cultura mandrake do funk paulista. A estética, os encontros e as gírias lembram o movimento, assim como as roupas, normalmente largas, estampadas e complementadas com acessórios como bonés, óculos, cordões e toucas.
A modalidade viralizou no TikTok em 2024 e chamou a atenção do DJ e produtor musical Alok. Dessa forma, ele incluiu a dança no clipe da música “Body Talk”, lançado em dezembro daquele ano.
Além da dança, o Sarro envolve a ocupação de espaços públicos e a construção de uma identidade entre jovens.
No vídeo publicado por Goura, Medusa, outra integrante do movimento, relatou situações de discriminação relacionadas à aparência dos participantes durante a ocupação das ruas.
“A gente não pode ocupar rua se você estiver com uma determinada roupa, se você tiver uma determinada cor de pele, se você tiver um certo cabelo, que a gente sabe muito bem essas características aí que os caras olha e fala ‘é esse aí que eu vou enquadrar’.”
Segundo os integrantes, o reconhecimento do Sarro como patrimônio cultural pode aumentar a visibilidade da produção cultural das periferias e reforçar a importância desses espaços de expressão para a juventude.
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