Uma seda produzida por abelhas virou filme biodegradável e desapareceu aos poucos enquanto a ferida cicatrizava
Proteínas recombinantes formaram um filme que se degradou no leito da ferida sem impedir o fechamento final em um modelo experimental
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Um material inspirado em uma estrutura produzida naturalmente por larvas de abelhas foi transformado em um filme fino para permanecer diretamente sobre feridas. Em testes pré-clínicos com camundongos, a seda de abelha recombinante foi bem tolerada e grande parte do material se degradou dentro da própria ferida entre as aplicações . O resultado abre caminho para curativos programáveis, mas ainda não demonstra benefício terapêutico nem eficácia em feridas humanas.
A seda utilizada não foi retirada diretamente de colmeias. Pesquisadores produziram versões recombinantes das quatro proteínas estruturais F1, F2, F3 e F4 da seda de Apis mellifera , utilizando sistemas biotecnológicos capazes de fabricar essas proteínas em quantidade controlada.
As quatro proteínas foram misturadas em proporções equivalentes e moldadas sobre superfícies de Teflon. O processo produziu discos de aproximadamente 6 milímetros contendo cerca de 1 miligrama de proteína, resistentes o suficiente para serem manipulados e esterilizados antes dos experimentos.
Os testes utilizaram 42 camundongos Balb/c com feridas circulares de espessura total de 6 milímetros. No grupo tratado, um novo filme de seda era aplicado a cada dois dias sobre o material que ainda permanecia no leito da ferida, evitando remover mecanicamente os fragmentos anteriores.
A inspeção mostrou que a maior parte do filme desaparecia gradualmente entre as aplicações. Restos granulares ainda podiam ser observados em alguns momentos, indicando degradação progressiva enquanto o tecido reparava a lesão.
Este vídeo mostra pesquisas com seda de abelha recombinante produzida em laboratório.
Como o material é formado por proteínas, ele pode ser atacado por enzimas presentes no ambiente biológico. Testes em laboratório mostraram que as proteínas da seda eram suscetíveis a proteases humanas relevantes, incluindo MMP-2 e plasmina.
Essa propriedade torna a seda de abelha diferente de um implante permanente. Em princípio, um curativo degradável poderia permanecer no local enquanto perde gradualmente sua estrutura, reduzindo a necessidade de retirar material aderido ao tecido recém-formado.
O estudo publicado no Journal of Biomedical Materials Research Part B não foi desenhado para demonstrar que o filme acelera a cicatrização. O objetivo principal era descobrir se o biomaterial interferia negativamente no processo normal de reparo.
As feridas tratadas apresentaram cicatrização um pouco mais lenta em alguns pontos intermediários, especialmente entre os dias 7 e 13, além de diferenças histológicas transitórias. No final do experimento, porém, não houve diferença estatisticamente significativa no fechamento final, e a deposição de colágeno foi semelhante entre os grupos.
Os pesquisadores relataram boa tolerância geral.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.