A Liverpool Brasileira que virou referência em tecnologia na América Latina e lidera a qualidade de vida do estado em 2026
Tecnologia, inovação e bons indicadores ajudam a explicar o destaque da cidade
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A 551 metros de altitude no Planalto da Borborema , Campina Grande respira tecnologia, algodão colorido e forró. A cidade do interior da Paraíba superou todas as capitais nordestinas no ranking de qualidade de vida e ainda exporta software para o mundo, provando que uma cidade do agreste pode trocar o fardo pelo código sem perder o sotaque.
O apelido nasceu no auge do algodão. Até a década de 1940, Campina Grande era a segunda maior praça exportadora da fibra no mundo, atrás apenas de Liverpool , na Inglaterra , o que rendeu à cidade a alcunha de Liverpool Brasileira. O ouro branco chegava dos municípios vizinhos, era beneficiado ali e seguia de trem até o porto do Recife .
O ciclo mudou o tamanho da cidade. Segundo a Prefeitura de Campina Grande , a população saltou de cerca de 20 mil habitantes, em 1907, para 130 mil em pouco mais de três décadas, atraindo bancos, indústrias e ferrovias. A cidade havia sido elevada à categoria de município em 11 de outubro de 1864 e hoje reúne 419.379 moradores no Censo 2022, com estimativa de 443 mil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) .
A virada começou em 1967 , quando Campina Grande recebeu o primeiro computador de todo o Nordeste, instalado no que viria a ser a Universidade Federal de Campina Grande. Décadas depois, em 2001 , a revista americana Newsweek escolheu a Rainha da Borborema como um dos principais centros tecnológicos emergentes do planeta, a única representante da América Latina ao lado de nomes como Barcelona e Suzhou.
Hoje a cidade abriga um parque tecnológico, centros de pesquisa da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e dezenas de empresas que exportam software. Um dado resume a vocação, a cidade tem proporcionalmente o maior número de doutores do país, cerca de um para cada 590 habitantes, segundo a prefeitura, o que lhe rendeu a fama de cidade dos cérebros.
Porque entregou os melhores resultados sociais do estado. No Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 , divulgado pelo Imazon, Campina Grande somou 68,76 pontos e liderou o ranking entre os 223 municípios paraibanos, à frente da capital João Pessoa , com 67,73 pontos.
O desempenho foi ainda mais longe. A pontuação colocou a cidade em primeiro lugar em todo o Nordeste , superando todas as capitais da região, num índice que avalia 57 indicadores de saúde, educação, moradia, saneamento e meio ambiente, sem considerar o tamanho do orçamento. No item moradia, a nota chegou a 98,24 em 100, reflexo da infraestrutura urbana consolidada em bairros como Catolé e Prata .
A herança do ouro branco ganhou um capítulo inédito. A Embrapa Algodão , sediada na cidade, desenvolveu variedades de algodão naturalmente colorido, em tons de marrom, verde e avermelhado, que dispensam qualquer tingimento químico. As pesquisas batizaram as fibras com nomes de pedras preciosas, como Rubi, Safira e Topázio.
O resultado transformou Campina Grande em uma referência têxtil rara.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.