Kushner e Netanyahu discutem desarmamento do Hamas e nova fase do plano para Gaza
Israel e Estados Unidos concordaram nesta segunda-feira (17) em encarregar um general americano de supervisionar o desarmamento do Hamas, afirmou uma autoridade israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse ao enviado americano Jared Kushner que não haverá retirada das forças israelenses de Gaza antes dessa etapa.
Kushner, genro de Donald Trump, reuniu-se com Netanyahu, que enfrenta uma difícil disputa pela reeleição, depois de o primeiro-ministro rejeitar publicamente a etapa mais recente de um plano americano para encerrar a guerra na Faixa de Gaza.
O movimento islamista palestino havia dado seu aval, no fim de julho, ao plano, que prevê seu desarmamento e a retirada israelense do território palestino, atualmente ocupado por Israel em mais de 60%.
No domingo, Kushner realizou uma reunião direta, e rara, com integrantes da liderança do Hamas. Segundo fontes que pediram anonimato, ele insistiu no desarmamento do movimento e pediu a adoção de medidas "verificáveis".
Netanyahu e Kushner "concordaram que não haverá nenhum reposicionamento [de tropas] nem reconstrução na Faixa de Gaza antes que o Hamas seja completamente desarmado" em todo o território, afirmou à AFP uma autoridade israelense de alto escalão.
"Também foi acordado que o primeiro passo para a desmilitarização da Faixa de Gaza consistiria em pedir ao Hamas que entregue suas armas para que elas sejam inutilizadas sob a supervisão de um general americano", acrescentou a autoridade.
Kushner estava acompanhado por integrantes do chamado "Conselho da Paz" de Donald Trump, entre eles o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. O órgão não havia se pronunciado imediatamente sobre a reunião.
O governo Trump já atribuiu um papel às Forças Armadas americanas e a forças estrangeiras aliadas na supervisão do cessar-fogo firmado em outubro de 2025, que reduziu os ataques israelenses contra a Faixa de Gaza, embora não os tenha encerrado.
Segundo a versão do plano publicada pelo "Conselho da Paz" em julho, o desarmamento do Hamas seria supervisionado pelo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), formado por tecnocratas palestinos e destinado a administrar o cotidiano do território durante um período de transição.
Ao rejeitar o texto, Netanyahu exigiu um desarmamento "real" do Hamas, cujo ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023 desencadeou a devastadora guerra em Gaza.
Segundo as mesmas fontes, Kushner também insistiu no domingo, durante a reunião com a liderança do Hamas, que o movimento não terá qualquer papel futuro na governança de Gaza.
O Hamas, por sua vez, afirmou ao enviado americano que queria que fossem exercidas pressões sobre Netanyahu para desbloquear a implementação da segunda fase do plano americano, segundo uma autoridade do movimento citada pela AFP.
Durante anos, os Estados Unidos se recusaram a manter contatos com o Hamas, classificado por Washington como organização terrorista.
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