Blindados e carta à ONU elevam tensão na fronteira das Coreias
A troca de acusações entre Coreia do Norte e Coreia do Sul ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, 26. Pyongyang enviou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU para negar responsabilidade por um incidente com minas terrestres na Zona Desmilitarizada (DMZ), enquanto veículos blindados norte-coreanos com artilharia foram avistados perto da fronteira.
Uma testemunha da Reuters observou, de um mirante na cidade sul-coreana de Gimpo, três veículos norte-coreanos posicionados em local visível próximo à linha de separação entre os dois países. Segundo a agência sul-coreana Yonhap, os equipamentos seriam obuses autopropulsados de 122 milímetros — uma exibição considerada incomum na área.
Os canos da artilharia estavam voltados para o território sul-coreano. A Reuters também registrou entre 20 e 30 militares norte-coreanos em trabalhos de instalação de cercas dentro da DMZ.
A manifestação enviada por Pyongyang no domingo, 25, responde a uma comunicação anterior da Coreia do Sul à ONU. Seul sustenta que a explosão ocorrida em 21 de setembro na Zona Desmilitarizada foi provocada por tropas do Norte e representou violação do Acordo de Armistício que encerrou os combates da Guerra da Coreia, em 1953.
Na carta, o representante norte-coreano afirmou que a Coreia do Sul teria criado uma narrativa para apresentar obras de fortificação realizadas por Pyongyang como incursões militares. O regime de Kim Jong-un também advertiu que eventuais violações de sua soberania poderiam provocar medidas de “autodefesa” e responsabilizou Seul por possíveis consequências.
As acusações de ambos os lados não foram verificadas de forma independente. O Comando das Nações Unidas, responsável por supervisionar o cumprimento do armistício na fronteira, informou que não comentaria atividades militares específicas.
Para Lim Eul-chul, professor da Universidade Kyungnam, em Seul, a exposição pública dos obuses autopropulsados representa um sinal político e militar. Na avaliação do especialista, Pyongyang tenta demonstrar que pretende defender sua política de fronteira pela força, e não por meio de diálogo ou negociação.
A movimentação, por si só, não significa que um confronto seja iminente. No entanto, reforça o risco de incidentes acidentais em uma região marcada pela presença permanente de tropas, artilharia, sistemas de vigilância e campos minados.
A DMZ tem cerca de quatro quilômetros de largura e acompanha a Linha de Demarcação Militar, que separa as duas Coreias desde o armistício. Apesar do nome, a faixa está entre as áreas mais militarizadas do mundo.
A Guerra da Coreia terminou em 1953 com a assinatura de um armistício, e não de um tratado definitivo de paz. Por isso, tecnicamente, os dois países continuam em estado de guerra, embora não haja combates abertos em larga escala há mais de sete décadas.
O Comando das Nações Unidas atua na fiscalização do acordo, na investigação de denúncias de violações e na manutenção de canais militares voltados a evitar erros de cálculo na fronteira. Em um ambiente de comunicação limitada, episódios envolvendo minas, cercas ou armas pesadas podem rapidamente ganhar dimensão diplomática.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em istoe.com.br — o conteúdo pertence a IstoÉ.