Análise: Mudança no hábito do consumidor afetou Habib’s
O Grupo Gennius, holding controladora das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, teve seu pedido de recuperação judicial aprovado pelo Judiciário.
De acordo com o analista de Economia da CNN Victor Irajá, ao CNN Novo Dia , a crise do grupo não pode ser explicada por um único fator, mas sim por um acúmulo de dificuldades econômicas e por uma crise específica de modelo de negócios .
A rede anunciou a decisão em nota divulgada na quarta-feira (26), revelando uma dívida total de R$ 265 milhões.
O Grupo Gennius reúne 174 empresas nesse processo de reestruturação judicial.
Expansão agressiva e endividamento Em 2018, o Habib’s anunciou um plano para chegar em 2022 com 1.213 lojas.
No mesmo período, investiu R$ 12 milhões na reforma de seis churrascarias da rede Tendall Grill e fechou uma parceria de vendas com o iFood.
Com a chegada da pandemia, ao contrário de desacelerar, o grupo optou por continuar expandindo , criando marcas que existiam exclusivamente dentro do iFood, como a Mita, voltada à venda de marmitas, e a Cabulosa, uma pizzaria vinculada ao Habib’s.
Em 2023, a empresa lançou modelos de franquia mais baratos, todos abaixo de R$ 1 milhão, com o objetivo de ocupar praças de alimentação em shoppings e centros comerciais.
O plano era dobrar a presença nesses espaços em um ano, com uma projeção de faturamento de quase R$ 3 bilhões.
Paralelamente, o grupo adotou uma estratégia de verticalização, unificando toda a sua linha de produção: montou fábrica de laticínios, cozinhas industriais no modelo “dark kitchen”, central de atendimento próprio, fornecedores próprios e chegou até a comprar fazenda para produzir seus próprios insumos.
Leia mais Casas Bahia, Habib's, e Tok&Stok: Por que marcas famosas estão endividadas? Após 5 décadas, Habib's vai de esfiha a R$ 0,50 à recuperação judicial Habib's vai fechar? Veja o que deve acontecer após pedido de recuperação Juros altos e travas bancárias Segundo Victor Irajá, toda essa expansão foi financiada com crédito bancário , contraído em um período de juros baixos — cerca de 2% ao ano durante a pandemia.
Com a elevação posterior das taxas de juros, a receita não voltou no ritmo esperado e o custo de rolar a dívida tornou-se muito elevado .
“Rolar essa dívida custa muito caro nesse cenário com juros muito significativos e com base no modelo de negócio que é construído exatamente sobre um preço mais baixo com muito volume”, explicou o analista.
O Habib’s chegou a solicitar à Justiça, em duas ocasiões, a liberação das chamadas travas bancárias — um mecanismo pelo qual o banco retém o dinheiro das vendas antes que ele chegue ao caixa da empresa, como garantia dos empréstimos anteriormente contraídos.
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