Super El Niño: JPMorgan vê risco climático subestimado e cita vencedores e perdedores
O JPMorgan alertou que os mercados ainda não precificam adequadamente os impactos de um possível “super El Niño”, fenômeno climático que pode se tornar o mais intenso desde o início das medições e provocar efeitos relevantes sobre inflação, crescimento econômico e desempenho de empresas em mercados emergentes ao longo de 2027.
Em relatório assinado Rajiv Batra, Emy Cherman e Anindita Gandhi, o banco destaca que as temperaturas da superfície do oceano já superaram anomalias de 3°C em algumas regiões e podem atingir até 3,8°C entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo projeções da World Meteorological Organization (WMO).
Caso se confirme, o evento superaria os picos registrados em episódios anteriores.
Na avaliação dos estrategistas, liderados por Rajiv Batra e Emy Shayo Cherman, os impactos indiretos do fenômeno seguem subestimados pelos investidores, especialmente sobre a inflação de alimentos, a demanda rural e os lucros corporativos.
O banco destaca que países emergentes devem sofrer os maiores efeitos do fenômeno, com destaque para Brasil, Índia, Indonésia, Colômbia e outras economias do Sudeste Asiático, onde agricultura e alimentos possuem peso relevante na atividade econômica e nos índices de preços.
Brasil : pressão inflacionária em 2027? No caso brasileiro, o JPMorgan estima que o pico do impacto inflacionário pode chegar a cerca de 1 ponto percentual no IPCA aproximadamente um ano após o início do fenômeno.
Segundo o banco, cerca de dois terços desse efeito ocorreriam por meio dos preços dos alimentos, enquanto outra parcela atingiria tarifas administradas, especialmente energia elétrica.
Leia também Petrobras: Goldman vê manutenção de preços do diesel após governo manter subsídios Banco afirmou que a renovação do incentivo de R$ 2,12 por litro para produtores e importadores de diesel Os analistas lembram que o episódio de 2015-2016 provocou queda de cerca de 5% na produção agrícola, alta superior a 20% nos preços dos alimentos ao longo de dois anos e aumento dos custos de energia.
Já o evento de 2023-2024 contribuiu para uma alta de 8% nos preços dos alimentos e para uma queda de 3,7% da safra agrícola brasileira.
O banco alerta ainda que o agronegócio brasileiro pode enfrentar atrasos no plantio, redução de produtividade, aumento de custos e dificuldades logísticas, enquanto o setor elétrico pode ser afetado pela maior dependência de geração térmica, já que cerca de 55% da capacidade de geração do país depende de hidrelétricas.
Ações beneficiadas e sob maior risco Apesar dos riscos, o JPMorgan vê oportunidades em empresas capazes de repassar preços, ligadas à geração de energia e a algumas commodities agrícolas.
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