Bolsa caiu, dólar disparou: onde investir após a vitória de Lula?
Entre as opções sugeridas pelos analistas estão ações de empresas com receitas ligadas ao dólar, investimentos em renda fixa e a diversificação internacional como alternativa para reduzir a dependência do mercado brasileiro e proteger parte da carteira em caso de desvalorização do real.
O mercado vinha apostando, desde agosto, na vitória do então candidato Flávio Bolsonaro (PL), por isso, os ativos brasileiros subiram, o dólar caiu abaixo de R$ 5 e o Ibovespa chegou a renovar recordes no período pré-eleitoral. Com a reeleição de Lula, essa aposta foi desmontada de uma vez e o mercado teve que refazer posições .
No curto prazo, o cenário para investimentos, segundo Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, passa por rebalancear a carteira de ativos. "Para quem já investe, a estratégia neste momento é voltar às proporções que haviam sido definidas para cada classe de ativo", diz Piellusch.
No caso da renda variável, como a Bolsa caiu muito, passou a pesar menos na carteira "e rebalancear pode significar comprar um pouco, não vender", ressalta o professor da FIA.
Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, a queda da Bolsa não é necessariamente uma oportunidade de compra. "Se os juros forem ficar altos nos próximos anos, a Bolsa, nesse patamar, tem pouco potencial de subir. Por isso, pensar numa carteira mais defensiva", afirma Faria Júnior.
Em sua visão, vale olhar para empresas que tenham balanços mais sólido e menos sensíveis ao ciclo econômico, como energia elétrica e saneamento. Fora isso, estudar a possibilidade de internacionalizar os investimentos com ativos de outros países ou em outras moedas.
Entendemos que dólar em torno de R$ 5,30 não é um impeditivo, não é um dólar caro para fazer a diversificação internacional. José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos
O economista cita estudos que mostram que aproximadamente 20% do custo de uma família de classe média depende do dólar. "Muitas despesas corriqueiras da nossa vida são em dólar. Então ter 20% ou 30% do seu dinheiro no exterior é uma atitude que a gente entende como bastante correta e protetiva no momento", afirma Faria Júnior.
"O que me chamou bastante a atenção na segunda-feira (26) foi que grande parte das empresas que conseguiram resistir melhor à correção do mercado, ou que em alguns casos chegaram até a subir, eram exportadoras ou companhias com parte de suas receitas vinculadas ao dólar" ressalta o estrategista da Avenue.
Para Benati, esse movimento mostra como a exposição ao dólar pode fazer diferença em momentos de maior instabilidade no mercado brasileiro. "Por isso, reforço a importância de diversificar os investimentos não apenas dentro do Brasil, mas globalmente.
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