“Breque dos Apps”: entregadores fazem paralisação nacional nesta terça-feira
Trabalhadores reivindicam aumento da remuneração por entrega, maior transparência nos bloqueios de contas e mudanças nas regras adotadas pelas plataformas
Entregadores de aplicativos de diferentes regiões do Brasil convocaram uma paralisação nacional para esta terça-feira, 1º de setembro. Batizada de “Breque Geral dos Apps” , a mobilização pretende pressionar as plataformas por mudanças na remuneração e nas condições de trabalho da categoria.
Organizado principalmente por meio das redes sociais e de grupos de mensagens, o movimento orienta os trabalhadores a permanecerem offline durante a paralisação . Também estão previstos buzinaços, carreatas e manifestações em diferentes cidades brasileiras.
Entre as principais reivindicações está a adoção de um pagamento mínimo de R$ 10 para corridas curtas , além de R$ 2,50 por quilômetro percorrido . Os organizadores argumentam que os valores atualmente pagos não acompanham os custos enfrentados pelos trabalhadores, como combustível e manutenção dos veículos.
Um dos principais focos das críticas é a modalidade “+Entregas” , na qual os profissionais trabalham em áreas e períodos previamente determinados.
Segundo representantes dos trabalhadores, o sistema teria provocado redução nos valores recebidos por entrega e poderia prejudicar profissionais que optam por não aderir ao modelo. A remuneração dessa modalidade já vinha sendo alvo de questionamentos recentes. Em resposta ao governo federal, o iFood afirmou que a adesão é opcional e sustentou que o sistema proporciona ganhos maiores por meio de pagamentos fixos e incentivos.
A discussão ocorre em meio ao debate mais amplo sobre as condições de trabalho nas plataformas digitais. Entregadores também reivindicam que o governo federal estabeleça, por meio de uma medida provisória, parâmetros para a definição de taxas mínimas de remuneração .
Parte da categoria também demonstra resistência ao PLP 152 , projeto em discussão no Congresso que trata da regulamentação do trabalho por aplicativos. Os críticos afirmam que a proposta não contempla adequadamente questões relacionadas à renda e à proteção previdenciária dos profissionais.
Em abril, motoristas e entregadores já haviam realizado manifestações em diversas cidades brasileiras durante as discussões do projeto. Na ocasião, atos foram registrados em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Natal.
Outro ponto levantado pelos entregadores é a maneira como as plataformas realizam bloqueios e suspensões de contas .
Trabalhadores afirmam que algumas decisões são tomadas de maneira automatizada, sem que sejam apresentados claramente os motivos ou oferecidos mecanismos considerados suficientes para contestar a medida. A categoria reivindica maior transparência sobre os critérios empregados pelos algoritmos das plataformas.
Com a paralisação desta terça-feira, os organizadores esperam aumentar a pressão sobre as empresas e também sobre o governo federal para abrir novas negociações sobre remuneração, transparência e condições de trabalho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em istoe.com.br — o conteúdo pertence a IstoÉ.