O financismo tenta cercar Lula
A aproximação da data do primeiro turno do pleito presidencial pode ter acendido o sinal de alerta no comando da campanha à reeleição do Presidente Lula.
As dificuldades em aumentar as taxas de aprovação do seu governo junto à opinião pública se combinam com a permanência de obstáculos à elevação das intenções de voto para obter um quarto mandato nas eleições que começam no domingo dia 4 de outubro.
Apesar da evidente fragilidade do candidato da oposição, o nome de Lula aparentemente não tem conseguido furar o teto imposto pelo sentimento generalizado de um antipetismo combinado com um espírito “contra tudo o que está por aí”.
Está ficando cada vez mais claro que Flávio é realmente o pior dos Bolsonaros, mas Lula até o momento não conseguiu se aproveitar plenamente de tal fragilidade do adversário.
Desde o início deste terceiro mandato os economistas não identificados com as receitas do neoliberalismo vimos alertando o Presidente para os riscos envolvidos em adotar para seu governo os mandamentos da Faria Lima e do povo da finança.
No entanto, as medidas típicas do conservadorismo econômico foram sendo anunciadas e implementadas em sequência desde janeiro de 2023.
Assim foi com a mera substituição do Teto de Gastos do Temer pelo Teto do Haddad – a Lei Complementar nº 200, mais popularmente conhecida como Novo Arcabouço Fiscal (NAF).
Depois veio essa insistência injustificável para um governo progressista em perseguir metas de superávit primário a todo custo, comprometendo de forma incisiva as despesas com programas de natureza social.
Além disso, o governo insistiu em estabelecer metas de inflação absolutamente irrealistas.
Assim, o Conselho Monetário Nacional (CMN – composto pelo ministro da Fazenda, ministra do Planejamento e presidente do Banco Central) decidiu por perseguir uma média de crescimento de preços de 3% ao ano.
Tal atitude completamente irresponsável e inexequível só fez oferecer de bandeja os argumentos para o Comitê de Política Monetária (COPOM) elevar a taxa referencial de juros.
Sob o falso discurso de que a inflação estaria “fora do controle”, o colegiado tem mantido a SELIC em níveis que mantêm o Brasil como campeão mundial da taxa real de juros.
Lula e os falsos amigos do financismo Por outro lado, mesmo depois que Lula conseguiu finalmente nomear o presidente do BC e todos os membros da diretoria do órgão, a taxa de juros continuou subindo e o órgão nada fez para limitar os spreads abusivos cobrados pelos bancos em suas operações de crédito e empréstimo.
Além da perversidade embutida em tal exacerbação da dimensão financeira sobre as demais, manter a SELIC na estratosfera implica em explosão das despesas financeiras do orçamento com o pagamento de juros da dívida pública.
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