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Brasil

O sertão também pode rir: Vidas Secas vira espetáculo com palhaços na Bahia

A Tarde ·
O sertão também pode rir: Vidas Secas vira espetáculo com palhaços na Bahia

Como fazer nascer o riso de uma história marcada pela fome, pela seca e pela sobrevivência? No encontro entre a aridez do sertão e a poesia do palhaço, uma das obras mais conhecidas da literatura brasileira ganha novos contornos no palco.

Inspirado no romance “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o espetáculo “Idas e Vindas Secas” estreia na capital baiana nesta sexta-feira, 9, às 20h, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves (TCA).

Ao som do aboio, canto tradicional dos vaqueiros para conduzir o gado, a peça convida o público a revisitar o sertão de Graciliano Ramos sob as cores e a poesia da palhaçaria.Ao portal A TARDE, a diretora do espetáculo e professora da UFBA, Joice Aglae, explicou que a peça utiliza a figura do palhaço para explorar a tragicomédia e a poesia presente no livro, destacando a ingenuidade e a fé da família e da personagem Baleia.

“É uma família que tem fé e, não, eu não 'tô' falando de uma fé em um Deus ou numa fé na terra, é uma fé no sertão.

Acredita que o sertão vai prover, vai dar um jeito [...] quando eu fui trabalhar com ‘Vidas Secas', não foi a questão do cômico, foi a questão da poesia do palhaço, e não a comicidade”, explicou a diretora.O sertão de 1938 em 2026O que mudou no Brasil desde que Graciliano Ramos apresentou ao mundo a família de Fabiano?No clássico "Vidas Secas", de 1938, o sertão brasileiro é retratado diante de uma extrema miséria e desumanização dos retirantes nordestinos.

Os personagens, Fabiano e sua família, são levados a uma condição de quase animalização devido à fome e à seca implacável, reduzindo suas capacidades de expressão e identidade.Em 2026, o questionamento sobre as mudanças ocorridas no Brasil desde então também atravessa a produção do espetáculo.

De acordo com Jell Oliveira, atriz e musicista do elenco, ocorreram mudanças sob uma perspectiva política, com a existência de um olhar mais respeitoso e de maior compreensão sobre as dimensões do Nordeste.“Além disso, existe a seca emocional, a seca humana, que a gente 'tá' aí batalhando para não retornar essa seca, mas é uma luta constante, mas o que nos movimenta, nos mantém em movimento e em travessia, em retirada, é o sonho e isso não altera”, afirmou.

1 de 3 Ana Tereza Mendes, Alice Cunha, Flora Rocha, Jell Oliveira, Lineu Gabriel, Luana Coelho, Saulus Bomfim, Theo Charles e Uerla Cardoso. | Foto: Ana Albuquerque / Ag.

A TARDE 2 de 3 Ana Tereza Mendes, Alice Cunha, Flora Rocha, Jell Oliveira, Lineu Gabriel, Luana Coelho, Saulus Bomfim, Theo Charles e Uerla Cardoso. | Foto: Ana Albuquerque / Ag.

A TARDE 3 de 3 Ana Tereza Mendes, Alice Cunha, Flora Rocha, Jell Oliveira, Lineu Gabriel, Luana Coelho, Saulus Bomfim, Theo Charles e Uerla Cardoso. | Foto: Ana Albuquerque / Ag.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.

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