Quem é Gadi Eisenkot, maior ameaça a Netanyahu nas eleições de Israel
O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, de 66 anos, tornou-se a principal ameaça política ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na eleição parlamentar que ocorre hoje em Israel. Discreto, reservado e com estilo austero, ele atrai eleitores que buscam uma liderança de linha-dura na segurança, mas com postura ética oposta à do atual governo. As informações são da Reuters.
Filho de imigrantes marroquinos da comunidade Mizrahi, Eisenkot tem um estilo sóbrio que contrasta com o perfil combativo de Netanyahu . Visto como uma figura pragmática e sem exageros, ele conquistou eleitores por sua imagem de "pessoa comum" e de fala direta.
Com 41 anos de serviço nas Forças de Defesa de Israel, Eisenkot comandou tropas na Cisjordânia, participou de guerras no Líbano e chegou ao cargo de Chefe do Estado-Maior entre 2015 e 2019 . Sua trajetória confere autoridade máxima em temas de defesa nacional.
Ele ficou famoso no meio militar por formular a "Doutrina Dahiyeh" em 2006, estratégia que defende o uso de força desproporcional contra infraestruturas usadas por grupos inimigos para gerar dissuasão . O conceito é citado por ele na campanha para reafirmar suas credenciais de firmeza.
Apesar de rivalizar com Netanyahu, Eisenkot mantém posições rígidas de defesa . Ele se opõe à criação de um Estado palestino, defende a presença soberana de segurança de Israel do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo e exige a destruição completa da estrutura militar do Hamas.
Sua imagem pública carrega forte comoção popular pelo impacto pessoal da guerra . Em 2023, seu filho e dois sobrinhos foram mortos em combate na Faixa de Gaza, o que aproximou sua figura do sentimento de luto e sacrifício vivenciado por muitas famílias israelenses.
Eisenkot integrou o gabinete de emergência de Netanyahu após os ataques de outubro de 2023, mas pediu demissão oito meses depois . Ele criticou a condução do primeiro-ministro e a promessa não cumprida de "vitória total", fundando em 2025 o partido Yashar ("Honesto" em hebraico).
Embora apoie a presença de assentamentos judaicos por razões de segurança, Eisenkot exige que eles sigam rigorosamente a legislação do país . Ele critica a violência de colonos extremistas contra palestinos e rejeita alianças com os ministros de extrema-direita de Netanyahu, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich.
Eisenkot declarou que não formará coalizão com legendas árabes israelenses por divergências em princípios de segurança nacional . Como seu plano exige atrair apenas partidos sionistas, analistas apontam que ele pode ter dificuldades em alcançar os 61 assentos necessários na Knesset, mesmo que seu partido seja o mais votado.
A votação para os 120 assentos do parlamento ocorre ao longo do dia de hoje . A cobertura ao vivo de veículos internacionais como a Al Jazeera aponta longa movimentação nos locais de votação. Segundo informações da Comissão Central de Eleições de Israel, a apuração tem início logo após o fechamento das urnas, previsto para as 22h locais (17h de Brasília).
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