Inteligência artificial detecta tipo mais grave de infarto e localiza artéria bloqueada com alta precisão
Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Uma ferramenta de inteligência artificial (IA) poderá ajudar médicos e socorristas a identificar o tipo mais letal de infarto – aquele causado pelo bloqueio total das artérias do coração. O sistema, desenvolvido em uma colaboração internacional que uniu pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e da Universidade de São Paulo (USP), tem a capacidade de analisar rapidamente os dados digitais do eletrocardiograma (ECG). Com isso, o modelo promete detectar a obstrução aguda e, de forma inédita, apontar o local exato onde a artéria está entupida.
“Nos casos de infarto agudo do miocárdio, as decisões precisam ser rápidas, pois cada minuto importa. Se a artéria estiver totalmente obstruída e não permitir levar o oxigênio, o músculo cardíaco morre e isso é irreversível. Por isso, o tempo é o grande definidor [do prognóstico]. A ferramenta de IA poderá dar mais agilidade ao processo”, conta José Eduardo Krieger , diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração (InCor-USP) e um dos autores do estudo, publicado na revista Nature Communications .
O modelo de IA descrito no artigo é o primeiro validado em população brasileira capaz de identificar e localizar infartos por oclusão coronariana usando apenas o ECG de 12 derivações – um exame rápido, acessível e de baixo custo que registra a atividade elétrica do coração sob diferentes ângulos. A ferramenta, que ainda é considerada experimental, permite reconhecer padrões que muitas vezes escapam à análise visual do exame, podendo auxiliar médicos na tomada de decisão.
Krieger explica que, quando o paciente não consegue chegar rapidamente ao hospital, os médicos nas ambulâncias enfrentam um dilema: decidir se aplicam ou não um medicamento para desobstruir a artéria (trombolítico). Essa medicação salva vidas, mas pode causar efeitos colaterais graves, como um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. “A IA funciona como um classificador de alta precisão que dá mais segurança para agir quando o benefício supera o risco”, afirma o pesquisador, que coordena um projeto apoiado pela FAPESP.
A expectativa é que, no futuro, o sistema de IA possa analisar os dados do ECG em tempo real, identificando quase que imediatamente os sinais de oclusão coronariana aguda. Isso permitiria que a equipe médica reconhecesse de modo precoce os pacientes que precisam de cateterismo urgente, agilizando assim o encaminhamento para a restauração do fluxo sanguíneo (reperfusão) quando necessário.
Identificar um infarto agudo do miocárdio e determinar qual artéria está obstruída nem sempre é uma tarefa simples. Isso porque muitos casos graves não apresentam no ECG o que médicos e cientistas chamam de “supradesnivelamento do segmento ST” (supra-ST), um marcador clássico no traçado do batimento cardíaco que indica o diagnóstico. “Há pacientes com 100% de oclusão cujo ECG não apresenta os padrões clássicos esperados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.