Embraer reforça inovação aberta e mapeia 2 mil startups para acelerar aplicação de tecnologias
Elton Alisson | Pesquisa para Inovação – Nos últimos três anos, a Embraer prospectou mais de 2 mil startups globalmente, resultando na assinatura de cerca de 40 contratos voltados a resolver desafios de eficiência operacional e de engenharia da companhia. Entre as soluções identificadas por meio dessas parcerias, destacam-se um sistema para testar, em ambiente real de ensaio, novas tecnologias de eletrificação e sistemas autônomos de voo, além de uma inovação para o degelo na superfície de suas aeronaves baseada em nanotubos de carbono (estruturas cilíndricas microscópicas de carbono com alta condutividade térmica e elétrica).
Mais do que um esforço para solucionar problemas internos, a inovação aberta por meio da aproximação com startups de base tecnológica – as chamadas deep techs – reflete a necessidade da terceira maior fabricante de aeronaves do mundo de se conectar de forma ágil com o ecossistema global de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em aviação.
“Somos a terceira maior empresa de aviação do mundo, mas muito menores do que os nossos dois concorrentes – a Boeing e a Airbus –, que são 10 vezes maiores. Nossos fornecedores também são gigantes. Por isso, desde a sua fundação, a empresa compreende a necessidade de manter a excelência interna e, ao mesmo tempo, conectar-se ao que há de melhor no ecossistema”, disse Leonardo Garnica , head de inovação corporativa da Embraer, durante um painel sobre o tema no evento MIT-Anpei Brazil Summit 2026, realizado em 8 de outubro, em São Paulo.
Organizado pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) em parceria com o MIT Industrial Liaison Program (ILP) – programa de integração entre a universidade norte-americana e o setor produtivo –, o encontro reuniu mais de mil líderes de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), além de pesquisadores, investidores, representantes do poder público e startups, com o objetivo de debater as prioridades tecnológicas globais e as decisões de investimento privado em inovação. A FAPESP foi uma das instituições apoiadoras do evento.
A busca por conexão ágil pela Embraer visa resolver gargalos reais de eficiência dentro de seis eixos prioritários estabelecidos pela fabricante de aeronaves: emissão zero, inteligência artificial/sistemas autônomos, experiência do passageiro, competitividade da plataforma e indústria 4.0 (automação e digitalização dos processos de manufatura). Sob esses eixos, desdobram-se mais de 200 tecnologias mapeadas.
A urgência dessa estratégia contrapõe-se a um desafio estrutural: mesmo contando com mais de 5 mil fornecedores corporativos, a Embraer ainda importa entre 60% e 70% de seus componentes, apontou Garnica. “Por meio de parcerias com startups e ICTs [instituições de ciência e tecnologia], queremos desenvolver tecnologias e tentar regionalizar a produção daquilo que for possível. Criar uma estratégia em compras e P&D com os parceiros do ecossistema”, ressaltou.
A atuação da companhia apoia-se em dois horizontes temporais: um plano de longo prazo (olhando até 2040 e 2045) e um plano quinquenal (2027-2032).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.