Entre deuses e dados: a natureza sagrada (por Mariana Caminha)
Outro dia me peguei pensando em como nós, seres humanos, passamos milhares de anos tentando dar nomes à natureza.
Ao mar.
Ao vento.
À chuva.
À fertilidade da terra.
Antes que existissem satélites capazes de acompanhar do espaço a formação de um furacão, modelos climáticos que projetam a temperatura do planeta até o fim do século ou relatórios que calculam, em toneladas, a quantidade de carbono lançada na atmosfera, havia histórias.
Histórias fantásticas.
E havia deuses.
Na Grécia antiga, Poseidon governava os mares.
Deméter estava ligada à agricultura e às colheitas.
Ártemis habitava simbolicamente o mundo selvagem.
E, antes deles, estava Gaia, a própria Terra transformada em divindade.
A milhares de quilômetros dali, tradições religiosas africanas construíram outras cosmologias, com histórias, significados e relações próprias com o mundo natural.
No Candomblé, os orixás estão profundamente associados às forças da natureza.
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