Dólar ronda R$ 5,18 e Bolsa reage, com economia dos EUA no radar
O dólar abriu os negócios nesta quinta-feira, cotado a R$ 5,18, após três dias seguidos de alta ante o real, influenciado pela saída de recursos estrangeiros da Bolsa em meio às incertezas sobre alta e juros nos Estados Unidos e controle das contas públicas, no Brasil. Investidores reagem ainda à divulgação de balanços, com números reportados ontem por Banco do Brasil, Americanas e CVC, entre os destaques.
Dólar abre em leve alta. A moeda dos Estados Unidos começou esta quinta-feira cotada no comercial para a venda a R$ 5,182, variação de 0,05% ante fechamento de ontem .
Moeda americana vem de três sessões seguidas de alta ante real. Nesta semana, a divisa saltou de R$ 5,08 para R$ 5,18, variação da ordem de 2%. Segundo profissionais de mercado, dois fatores têm atuado como principais causas dessa tendência: expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos neste semestre e preocupação com a trajetória da dívida pública brasileira.
Aumento de juros nos Estados Unidos impacta fluxo de capitais no mundo. O cenário de taxas maiores na economia americana aumenta o rendimento dos títulos do governo do país, atraindo mais recursos globais. Isso fortalece o dólar e reduz o direcionamento de aplicações para outros países, como o Brasil.
Receio de aumento da dívida pública brasileira impacta juros. Com mais gastos do governo, a quantidade de recursos em circulação tem potencial para manter a economia aquecida. Isso dificulta o trabalho do Banco Central, de controlar a inflação. Por tabela, os juros precisam ficar elevados por mais tempo. Segundo economistas, esse ambiente cria incertezas e prejudica a atração de investimentos estrangeiros.
Projeto aprovado no Conresso ontem à noite amplia dúvidas sobre política fiscal. O Senado aprovou o PLP 114/2026, que permite cortar tributos sobre combustíveis e amplia incentivos a fertilizantes, minerais críticos, defesa, saúde e à Copa do Mundo Feminina de 2027. O texto permite que despesas de até R$ 7,5 bilhões com a Defesa Nacional fiquem fora do limite do arcabouço fiscal em 2026 e antecipa R$ 3 bilhões em recursos orçamentários de 2027 para este exercício.
Ibovespa caiu ontem pelo sexto pregão seguido. O principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 recuou 0,23%, para 167.491 pontos , menor patamar desde 20 de janeiro.
Bolsa brasileira atravessa ciclo negativo com saída de recursos estrangeiros. A tendência é influenciada pela atuação dos investidores internacionais, que respondem por cerca de 60% do giro diário de negócios. Neste mês, o saldo líquido — aportes ante saques — está negativo em R$ 7,5 bilhões. No acumulado do ano, ainda há superávit, de R$ 33,8 bilhões.
Investidores reagem hoje aos balanços divulgados ontem à noite. Entre os destaques, Banco do Brasil, CVC, B3 e Americanas soltaram os resultados financeiros referentes ao segundo trimestre.
Banco do Brasil eleva lucro em 3,3% no trimestre. O BB reportou lucro líquido de R$ 3,9 bilhões . A carteira de crédito expandida cresceu 1,5%, a R$ 1,3 trilhão em junho de 2026, com índice de inadimplência acima de 90 dias de 5,61% ao fim de junho.
Americanas ampliou prejuízo, mas melhorou resultado operacional no semestre.
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