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Copom leva Selic a 13,75%: eleições e riscos globais vão travar mais cortes?

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Copom leva Selic a 13,75%: eleições e riscos globais vão travar mais cortes?

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros, a Selic, a 13,75% nesta quarta-feira (16), em decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado.

Apesar da moderação da atividade econômica e da inflação corrente, a autoridade monetária adotou um tom de cautela ao não sinalizar claramente os próximos passos, justificando que, dentro do horizonte relevante, a inflação está convergindo à meta, com projeção mantida em 3,2% para o primeiro trimestre de 2028.

Leia também: Com Selic em 13,75%, Brasil tem maior juro real do mundo A falta de um compromisso explícito ou “forward guidance” por parte do Banco Central gerou diferentes interpretações entre os analistas de mercado, que se dividem entre a continuidade gradual do ciclo de cortes e uma possível interrupção das quedas para garantir a convergência dos preços à meta.

Economistas veem pausa nos cortes de juros Para uma parcela dos economistas, o ciclo de cortes pode ter chegado ao fim em 2026.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avalia que o Banco Central calibrou corretamente a decisão diante de um balanço de riscos assimétrico.

“Em nosso cenário, entendemos que o corte de hoje é o último deste ano, muito por conta dos riscos no radar para o quarto trimestre e para o início do ano que vem”, projeta Sung.

Ele ressalta a resiliência dos preços de serviços intensivos em mão de obra, que rodam a 7%.

Leia também: Selic cai a 13,75%: quanto R$ 10 mil rendem em CDB, Tesouro e LCI? Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, compartilha a visão de que a melhora recente da inflação se deve a fatores temporários.

“Por isso, na nossa avaliação, o espaço para novos cortes na taxa de juros é praticamente inexistente”, afirma.

Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, e Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, apontam que o aperto monetário global, com o Federal Reserve (EUA) e o Banco Central Europeu elevando juros, deixa o Brasil com menos espaço para repetir reduções.

Inflação e atividade podem permitir mais cortes Em contrapartida, outras instituições apontam que os dados domésticos ainda dão respaldo para a continuidade das quedas.

A XP Macro acredita que a desaceleração econômica se tornará ainda mais evidente nos próximos meses e projeta que “o Copom continuará reduzindo a taxa básica de juros em 0,25 p.p. nas próximas reuniões”, chegando a 13,25% ao fim de 2026.

Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, ressalta que o Copom registrou que tanto a inflação cheia quanto os núcleos estão agora abaixo do teto, fornecendo suporte à manutenção do ritmo de cortes.

Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, argumenta que o país mantém um dos maiores juros reais do mundo, penalizando o setor produtivo, e que haveria espaço para cortes mais acentuados.

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