Homem espancado no Rio morreu por traumatismo e hemorragia, diz laudo
Um laudo do IML (Instituto Médico Legal) detalhou as lesões sofridas por Cláudio Rafael Landeiro e apontou a causa de sua morte após um espancamento em Copacabana no Rio
A vítima morreu por hemorragia interna, traumatismo cranioencefálico e lesão de baço e rim. O documento, obtido pelo UOL , foi concluído no dia 16 de agosto, quatro dias após sua morte no Hospital Municipal Miguel Couto.
Exame destaca "ação contundente". Ele diz que marcas encontradas no corpo eram compatíveis com agressões físicas causadas por objetos rígidos e alongados, como barra de ferro, cabo de vassoura e porrete. A informação foi confirmada posteriormente com vídeos do momento do crime.
Parte do crânio de Cláudio se quebrou em múltiplos fragmentos. Essa rachadura do osso ocorreu em quase toda a metade direita da cabeça (lateral, topo e parte de trás) e também na região da nuca do lado esquerdo.
Vítima sofreu também com inchaço cerebral. O laudo apontou que inúmeros sangramentos e edema cerebral fizeram com que o órgão inchado fosse violentamente pressionado contra as paredes internas do crânio.
Homem teve lesões em diferentes partes do corpo. Ainda conforme o IML, os ferimentos foram encontrados pelas costas, braços, antebraços, barriga, axila, dorso, glúteo, flanco e cervical. Os impactos provocaram graves danos ao baço e ao rim. Já o coração e o pulmão estavam preservados.
Os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias foram os primeiros a serem presos. Davi abordou e deu ao menos 30 pauladas na vítima, enquanto Jorge teria participado da abordagem, mas não diretamente das agressões, conforme provas coletadas até o momento. Eles desconfiavam que a bicicleta usada por Cláudio era roubada.
Dois entregadores também foram detidos. Felipe Eduardo dos Santos confessou a participação no espancamento, enquanto Ailton José da Silva se manteve calado em depoimento. Eles foram filmados segurando à força a vítima, dando socos e chutes.
Polícia ainda tenta identificar quinto envolvido no linchamento do ciclista. Ele aparece em imagens da agressão captadas por câmeras de segurança. O suspeito ainda não identificado é aquele que aparece e dá um chute na cabeça da vítima.
Bicicleta que homens suspeitavam ser roubada era de uma das irmãs de Cláudio, segundo a família. "Ele abordou meu irmão e supôs que ele era um ladrão, agrediu ele e deixou que outros homens o levassem para a rua Felipe de Oliveira, uma rua escura, para matá-lo", disse Fabiana Landeiro, uma das irmãs da vítima, em vídeo gravado e divulgado nas redes sociais.
Um vídeo obtido pelo UOL mostra Cláudio saindo de casa por volta das 22h30 do 11 de agosto, em posse da bicicleta. Após abrir o portão, ele sai empurrando o veículo . Ele vivia com a mãe e duas irmãs na residência em Botafogo, na zona sul.
Cláudio tinha transtornos psicológicos, afirmam familiares. Ele fazia acompanhamento profissional. "Mesmo em meio a tantas dificuldades, eu sempre consegui enxergar a bondade e a vontade de viver que existia nele", disse uma prima dele em seu perfil social.
O homem morreu por traumatismo craniano e hemorragia interna.
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