Como fica o Brasil na globalização sem os EUA e com a China
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics e conselheira internacional do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais)
Fundador do Urbem (Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole) e conselheiro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais)
[RESUMO] Diante de uma globalização esgarçada, da qual os EUA tentam se retirar e a China é parte cada vez mais relevante, incertezas enfraquecem os países do Mercosul, que precisam do bloco para se distanciar do fogo cruzado entre as duas potências. O acordo bilateral entre os EUA e a Argentina fere os princípios do bloco sul-americano, ao mesmo tempo em que o governo Trump eleva tarifas de produtos do Brasil. Riscos ao Mercosul deveriam ser pauta na campanha eleitoral, ainda que o resultado do pleito não mude o quadro sombrio gerado pelas ações coercitivas dos EUA na região.
Há tempos, parte do debate público vem proclamando o fim da globalização . A tese se ampara em um punhado de inferências: por exemplo, as cadeias produtivas voltariam para casa, o protecionismo seria duradouro, a segurança nacional teria aposentado o cálculo econômico e as grandes potências reorganizariam suas relações segundo critérios geopolíticos.
O mundo continua interessado na globalização, como revela a proliferação de acordos comerciais desde que os Estados Unidos decidiram promover uma desglobalização seletiva. Tarifas, sanções, controles tecnológicos, restrições a investimentos e, sobretudo, o conflito com a China vêm mudando a natureza das relações do país com o resto do mundo.
As ações dos EUA, ainda que reveladoras de um ímpeto isolacionista, não eliminarão a importância do país no mundo. Permanecerão relevantes para as finanças internacionais, para o desenvolvimento tecnológico e para o investimento.
No entanto, a abertura do pós-guerra está se esgarçando, cedendo lugar a uma política discriminatória que subordina os instrumentos econômicos a outros objetivos. Enquanto isso, boa parte do planeta começa a se reorganizar em torno de uma globalização cada vez menos centrada nos Estados Unidos.
Eis o paradoxo do nosso tempo: a China torna-se cada vez mais indispensável ao funcionamento material da economia mundial no exato momento em que os Estados Unidos rompem a ordem que criaram. Em escala global, o movimento é conhecido por vários nomes: friend-shoring, segurança econômica, redução de riscos e proteção de cadeias estratégicas.
Nas Américas, assim como na Ásia, a geografia voltou a ditar o alinhamento entre os países. A crise atual do Mercosul é o exemplo mais nítido dessa tendência, a julgar por como escolhas políticas internas, incentivos econômicos e instrumentos externos de coerção empurram os países da região para inserções internacionais distintas.
O Mercosul foi criado em 1991, quando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram o Tratado de Assunção.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.