China busca aderir à disputa do Brasil na OMC contra tarifas dos EUA de até 37,5%
O Notícias da China é um boletim semanal que oferece análises de desenvolvimentos importantes na China e sobre a China, a partir de uma perspectiva do Sul Global. Produzido por uma equipe editorial internacional, a publicação visa apoiar os leitores a compreender a China além das narrativas dominantes da mídia ocidental.
O Notícias da China é publicado aos sábados, em inglês e português, conjuntamente pelo Tricontinental: Instituto de Pesquisa Social, pelo Fórum Acadêmico do Sul Global (GSAF) e pelo Brasil de Fato (BdF).
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Nesta semana, a China aposta na solidariedade Sul-Sul e no multilateralismo, com o apoio a Cuba diante do bloqueio dos EUA, a adesão à disputa do Brasil na OMC contra tarifas norte-americanas e a morte de Zhu Rongji, o premiê que contrariou o FMI.
A China protocolou em Genebra, em 10 de agosto, um pedido para participar como terceira parte das consultas na Organização Mundial do Comércio abertas pelo Brasil contra tarifas norte-americanas de até 37,5%, alegando ter interesse comercial substancial na disputa. A medida amplia o contencioso jurídico aberto pela China em 2018 contra a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, que, segundo Pequim, permite a Washington determinar violações e impor penalidades sem autorização multilateral. O Ministério do Comércio da China classificou a alíquota de 12,5% aplicada a produtos chineses como um ato de unilateralismo e protecionismo. O Brasil abriu seu caso na OMC em 30 de julho.
Em 12 de agosto, China e Indonésia realizaram um exercício conjunto de navegação naval em águas a leste de Taiwan, China, com comunicações marítimas, manobras de formação e reabastecimento no mar. Pequim afirmou que o treinamento buscava aprofundar a cooperação prática e resguardar a paz e a estabilidade regionais, enquanto Jacarta o descreveu como um exercício de passagem rotineiro de um navio de guerra que retornava da Rússia. O órgão de Taiwan responsável pela política em relação à China condenou a atividade como uma provocação militar, no momento em que a ilha realizava seu primeiro exercício antibloqueio conjunto entre marinha e guarda costeira durante os dez dias de manobras Han Kuang.
Liu Haixing, chefe do Departamento Internacional do Partido Comunista da China, encontrou-se com o presidente cubano Miguel Díaz-Canel e com o chefe das relações internacionais do Partido Comunista de Cuba, Emilio Lozada García, em Havana, nos dias 9 e 10 de agosto, durante as comemorações do centenário de Fidel Castro. Liu descreveu China e Cuba como “bons amigos, bons camaradas e bons irmãos”, cujos laços atingiram um “novo patamar sem precedentes”. O representante chinês reafirmou o apoio ao caminho socialista cubano, a uma cooperação mais profunda e à coordenação para defender a justiça internacional e se opor ao hegemonismo. Diante do recrudescimento das sanções dos EUA, Pequim pediu o fim do bloqueio e das sanções unilaterais, afirmando que violam o direito internacional e a Carta da ONU.
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